(63) 98447-6190 tocantinsrural.brasil@gmail.com
09/11/2020

BRANCO OU PRETO?

Por: Rafael Mazão

 

Imagem: Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Que ano surpreendente este 2020!

Cheio de surpresas boas para o agronegócio, nem tão pouco à pecuária!

Talvez uma ou outra reclamação pela chuva que tardou um pouco mais que o esperado agora nesse segundo semestre, porém com cenário comercial tão aquecido a “choradeira” diminuiu para tudo.

Dados da agência de pesquisa Agrifatto, a variação de preços em São Paulo de outubro de 2019 ao mesmo mês em 2020 foi:

  • Bezerro +73%
  • Boi Magro +64%
  • Boi Gordo +58%

Vimos através dos dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA), de janeiro a junho de 2020, 70% dos municípios estão usando a tecnologia e tivemos um super aumento de 47% de doses de sêmen comercializas nacionalmente para os clientes finais de gado de corte, em relação ao mesmo período do ano anterior.

Já através dos dados da indústria frigorífica, desde 2019 em franca expansão do processamento, com 43.3 milhões de cabeças abatidas naquele ano, destes 14% dos bovinos vindo de confinamentos, do total sendo 23,7% da produção exportada, só de carne in natura que “viajou” corresponde por mais de 82% da exportação, só a China importou 31,9% dessa nossa produção. Fechamos o ano com consumo per capita em 38,37 kg, e já que se fala que o consumo de alimentos em 2020 aumentou espero com otimismo o fechamento deste ano, acima dados vindo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC).

E como evoluímos na antecipação de ciclo de abate, dados da ABIEC ainda complementam, que em 2009 tínhamos mais de 20,5% dos bois com mais de 36 meses sendo abatidos, já em 2019 uma década após, esse percentual apresentou 5,9% somente dos animais nesta idade na indústria frigorífica. Assim temos conseguido melhorar a eficiência da remuneração do produtor, além de atender o mercado interno e externo com carne de melhor qualidade.

Nos últimos 10 anos o abate de fêmeas segue em alta, mesmo com a redução da idade ao abate dos machos, as fêmeas jovens continuam em alta na indústria pelo simples fato de aceitar menor peso ao abate e por serem mais fácil em terminação e acabamento em relação aos machos inteiros à pasto, além de terem ótima aceitação pelo mercado interno. Com isso além de perdermos nas fêmeas jovens o maior potencial reprodutivo e de desfrute, perdemos o maior potencial genético.

O estado do Mato Grosso, maior rebanho brasileiro, identificou redução de 17,7% do abate de matrizes este ano, mais expressiva retenção na categoria de 24 à 36 meses, ou seja, produtores continuaram abatendo as fêmeas jovens, mas seguraram as matrizes ativas na reprodução devido a valorização da cria, segundo dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso – INDEA.

Com isso, temos visto uma grande maioria dos sistemas de ciclo completo com base de matrizes velhas e ineficientes, além do que as prioridades em seleção dos descartes voluntários basicamente não existem.

Pior ainda daqueles que nas últimas safras somente usaram cruzamento industrial e não se preocuparam com a reposição das matrizes, ou até talvez se preocuparam com a reposição, porém nas matrizes “do cedo” utilizaram somente cruzamento industrial, e deixaram o touro Nelore para o “repasse” no final da estação.

Fato agora é que a reposição de fêmeas está escassa, além do que o ágio como nunca tão valorizado, e a demanda por bezerros seguindo firme. Resumindo, as matrizes valem “ouro”, literalmente, a grama do ouro valorizada em R$338,00 (melhordocambio.com em 06/11/20) e a @ da fêmea desmamada em R$399,00 (Scot Consultoria – Cotação São Paulo em 06/11/20).

Daí a pergunta que fica, na estação de monta, uso Branco ou Preto? Nelore ou Aberdeen Angus?

Teríamos mais uma longa “prosa” para discorrer deste assunto, certo é que o seu sistema e sua demanda comercial é quem vai responder primeiro. E mais certo é se sua base de matrizes “está pedindo” por mais reposição do que o normal ou tem fôlego para mais uma safra.

O Cruzamento Industrial como alternativa de atender a produção primária de carne ao final do ciclo completo, ou mesmo na venda à desmama continua como ótima opção de ganho em ágio na @ em várias praças do país.

Já os animais de corte Nelore, teve incrível acréscimo no ágio nos últimos 12 meses devido à demanda maior de invernistas e confinadores para machos e fêmeas jovens, também pelas fêmeas jovens para reposição em planteis de cria.

O certo que estamos chegando ao fim do ano, a “oferta de Boi” está escassa à indústria, atacadistas com estoques limitados, as exportações com tendências à alta de volume e o mercado interno sinalizando maior consumo de carne como de costume no período. Vamos presenciar em dezembro a maior cotação da @! “Boi” de R$300,00 por @? Se prepare!

O “Mundo está faminto”, temos pouca concorrência, nossos sistemas de produção têm custo reduzido e ainda temos grande diversidade de negócios.

O Brasil é o maior produtor e exportador de carne bovina mundial, e ainda sendo o terceiro maior consumidor, tem alguma dúvida do nosso potencial? Daí me pergunto, diante de um ano do qual começamos tão incerto, e caminhamos para um fim tão próspero: como será 2021? Tenho só uma certeza, produzir utilizando o melhor da tecnologia e otimizando os custos de produção sempre será a melhor fórmula!

Rafael Mazão é diretor técnico da Dstak Assessoria Pecuária

rafaelmazao@dstak.com

Tempo

Eventos

NOSSOS PARCEIROS

Atendimento

Segunda a Sexta das 8h às 18h

(63) 8501-8498

Siga-nos

Entre em contato com a redação do Tocantins Rural. Email: tocantinsrural.brasil@gmial.com Telefone: (63) 98501- 8498 Whatsapp: (63) 98447-6190
Copyright © 2019 - Tocantins Rural - Todos os direitos reservados.