Aquecimento Global: novos dados e riscos para safras

As mudanças climáticas trazem impactos severos e podem prejudicar as produções; preservação em propriedades rurais é crucial 

Especialistas reafirmam necessidade de limitar o aquecimento global em até 1,5ºC, no novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado nesta quinta-feira, 8. O documento, coordenado por mais de 100 especialistas de 52 países, sendo a maioria de nações em desenvolvimento, deixa claro que a meta só será alcançada caso a emissão de carbono diminua. 

Considerado um dos mais renomados meteorologistas do Brasil e conhecido mundialmente, o pesquisador Carlos Nobre explica que se a temperatura média da Terra ficar 4°C acima do normal, os efeitos serão irreversíveis. O mesmo aconteceria caso tivéssemos 40% menos de florestas. 

A temperatura global da Terra já está cerca de 1°C mais quente. Nas áreas continentais esse valor sobe para até 1,5°C. “Essa condição aumenta os extremos do clima, por isso as estiagens estão cada vez mais fortes, inundações mais graves e picos de temperatura mais altos. O mesmo vale para ondas de frio intensas, tornados e furacões”, explica Patrícia Vieira, técnica em meteorologia da Somar. 

Esse aquecimento já traz impactos climáticos severos, o que pode colocar em risco a segurança alimentar, prejudicando as safras.  Apesar disso, o Brasil tem registrado recordes na produção, o que pode estar relacionado às práticas que aliam produção e preservação, como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). 

Patrícia Vieira reforça, por exemplo, a importância da Floresta Amazônica para o bem-estar das lavouras. “Através das correntes de jato, corredores de ventos a quilômetros de altitude, a umidade da floresta reforça as chuvas que acontecem no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, beneficiando as lavouras”, explica.

Comparações feitas com a Austrália, que tem dimensões continentais similares às do Brasil, mostram que por lá os eventos climáticos são mais severos justamente porque não há grande cobertura de vegetação nativa. 

O Brasil possui números muito relevantes na preservação de sua mata nativa. Estudos mostram que antes da Revolução Industrial, o país possuía 8% de toda a cobertura vegetal do mundo. Quase 250 anos depois, somos responsáveis por 28% das áreas verdes do planeta. Das áreas preservadas, 21% estão dentro das propriedades rurais.

Fonte: Canal Rural