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18/09/2020

Brasil é 2º maior comprador de agrotóxicos proibidos na Europa

Por André Cabette, Hélen Freitas e Ana Aranha/com edições do Tocantins Rural

De um total de 31 amostras de maçãs que vieram do Brasil e foram testadas, 24 tinham resíduos de agrotóxicos proibidos

Dados inéditos revelam que o Brasil é o segundo maior comprador de agrotóxicos fabricados em solo europeu, mas proibidos para uso na União Europeia e Inglaterra. A prática já era conhecida, mas pela primeira vez se revela a importância do Brasil neste mercado. Foram 10 mil toneladas em 2018, e 12 mil em 2019. Mais da metade (77%) saiu da fábrica da Syngenta na Inglaterra, onde a empresa produz o agrotóxico paraquate.

O bloco autoriza a exportação de agrotóxicos que considera perigosos demais para aplicação na sua agricultura, mas tolera a importação de alimentos cultivados com estes produtos em outros continentes. Os dados sobre venda de agrotóxicos foram obtidos pela organização em parceria com a Unearthed, braço de jornalismo investigativo do Greenpeace.

A prática foi classificada como “discriminatória” e “uma contradição legislativa” por Baskut Tuncak, que foi relator especial da ONU para substâncias tóxicas de 2014 a julho de 2020.

Apenas em 2018, foram mais de 81 mil toneladas autorizadas para fabricação na União Europeia e Inglaterra e venda a 85 países que não fazem parte do bloco. Os dados são de autorizações para exportação, por isso é possível que o volume efetivamente vendido seja menor.

São 41 tipos diferentes de agrotóxicos proibidos dentro do bloco europeu, mas autorizados para fabricação e exportação. Dentre os motivos que levaram a União Europeia a proibi-los estão evidências sobre sua relação com infertilidade, malformações de bebês, câncer, contaminação da água e toxicidade para animais, como as abelhas.

 

O apetite do mercado brasileiro para esses produtos fica atrás apenas dos Estados Unidos, que foi o campeão de compras. Mesmo com a relevância do mercado americano, o grosso das exportações é para “países mais pobres, onde acredita-se que esses agroquímicos danosos trazem maiores riscos”, afirma o relatório. Entre os maiores compradores estão Ucrânia, México e África do Sul.

Exportando os riscos

Os novos dados mostram que dentre os principais compradores de agrotóxicos proibidos na União Europeia estão os principais vendedores de alimentos para o bloco econômico: Estados Unidos, Brasil e Ucrânia. Ou seja, empresas europeias lucram vendendo agrotóxicos perigosos para que o seu alimento seja cultivado em outros continentes.

Isso ocorre porque o uso dos químicos em questão foram banidos por oferecerem risco aos trabalhadores rurais e ao meio ambiente. Mas, quando se trata de resíduos nos alimentos, o bloco fixa limites que são tolerados na comida importada.

Não são poucos os casos de alimentos brasileiros com agrotóxicos proibidos na Europa que chegam a mercados europeus. A ONG Pesticide Action Network analisou testes feitos em 770 frutas, legumes e grãos vendidos pelo Brasil à Europa em 2018. Desses, 97 tinham agrotóxicos proibidos ou de uso restrito na União Europeia.

De um total de 31 amostras de maçãs que vieram do Brasil e foram testadas, 24 tinham resíduos de agrotóxicos proibidos ou de uso restrito na Europa. Quantidades significativas também foram encontradas em outras frutas, como o mamão, a manga e o limão.

A análise da PAN ressalta que foram poucos os alimentos testados do Brasil, por isso, os resultados não representam todos os alimentos importados do país. “Mas os dados não deixam dúvidas de que a União Européia está comprando produtos proibidos para uso em seu território. Isso é hipocrisia”, afirma a toxicologista Angeliki Lyssimachou, uma das pesquisadoras que está trabalhando com os dados na PAN.

Este levantamento faz parte de um grande compilado realizado pela PAN, cuja equipe se debruçou sobre os testes toxicológicos realizados pelos países da União Europeia com amostras de alimentos coletados em mercados.

Fonte: Repórter Brasil

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