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10/01/2020

Carne é motivo de alta da inflação em 2019, mas não deve ser destaque em 2020

da redação

Entenda a inflação e as previsões para 2020

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil, fechou 2019 em 4,31%, ultrapassando o centro da meta para o ano, que era de 4,25%. Trata-se da maior inflação anual desde 2016, quando o índice ficou em 6,29%, segundo divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 10. (Confira abaixo os gráficos)

Apesar de ter ficado acima do centro da meta, a inflação oficial ficou dentro do limite de variação de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Pela meta estabelecida, a inflação poderia ficar entre 2,75% e 5,75%.

 

Preço da carne sobe 32,4% no ano

A inflação de 4,31% em 2019 foi pressionada principalmente pelo grupo "Alimentação e bebidas", que apresentou alta de 6,37% no ano e impacto de 1,57 ponto percentual no acumulado de 2019. Na sequência, pesaram os custos dos "Transportes" (3,57%) e "Saúde e cuidados pessoais" (5,41%), com impactos de 0,66 p.p. e 0,65 p.p., respectivamente.

O principal agravador da inflação em 2019 foi, sem dúvida, a carne, que teve alta de 32,40%, representando um impacto de 0,86 pontos percentuais (p.p.) no indicador geral. Ou seja, se o preço das carnes tivesse ficado estável no ano, a inflação de 2019 teria fechado em 3,54%.

"Embora essa alta tenha se concentrado nos meses de novembro e dezembro, foi o maior impacto individual no indicador", afirmou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov da Costa.

O disparo dos preços, principalmente nesta reta final do ano, aconteceu em meio ao aumento das exportações para a China e à desvalorização do real.

 

Grupos de participação na inflação

Dos nove grupos de despesa pesquisados, apenas artigos de residência tiveram deflação em 2019. Veja abaixo a inflação de 2019 por grupos e o impacto de cada um no índice geral:

- Alimentação e Bebidas: 6,37% (1,57 ponto percentual)

- Habitação: 3,90% (0,62 p.p.)

- Artigos de Residência: -0,36% (-0,01 p.p.)

- Vestuário: 0,74% (0,04 p.p.)

- Transportes: 3,57% (0,66 p.p.)

- Saúde e Cuidados Pessoais: 5,41% (0,65 p.p.)

- Despesas Pessoais: 4,67% (0,51 p.p.)

- Educação: 4,75% (0,23 p.p.)

- Comunicação: 1,07% (0,04 p.p.)

 

Perspectivas para 2020

Apesar da maior pressão inflacionária a reta final de 2019, puxada principalmente pelo alta do preço da carne, a expectativa é que a inflação permanecerá em patamar baixo.

Para 2020, os economistas das instituições financeiras projetam um IPCA em 3,60%, segundo a pesquisa Focus do Banco Central. Neste ano, o centro da meta é de 4%, um pouco menor que em 2019. A meta terá sido cumprida se o índice oscilar de 2,5% a 5,5%.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros. A Selic terminou 2019 a 4,5% ao ano, nova mínima histórica, após novo corte de 0,5 ponto em dezembro, quando o BC indicou cautela em relação aos juros daqui para frente em meio a uma retomada econômica com mais ímpeto

A expectativa atual do mercado para a taxa básica de juros é de que a Selic encerre este ano em 4,50%.

 

Perspectivas para a carne

Para 2020, a proteína animal não deverá ficar mais cara, mas também não terá os valores praticados há um ano, de acordo com especialistas.

Isso porque:

- Os preços ficaram estagnados desde o início da crise econômica, em 2015, e os valores precisavam passar por reajuste, dizem analistas de mercado ouvidos pelo G1;

- Para o Ministério da Agricultura, a euforia da demanda chinesa também passou, e agora os preços devem encontrar um ponto de equilíbrio;

- Acabou a "entressafra do boi" e a oferta de animais prontos para o abate aumentou, o que tende a diminuir os valores negociados no mercado;

- Quando a carne bovina cai, outras proteínas, como frango e porco tendem a desvalorizar;

O analista de mercado Leandro Bovo explica que o mercado da carne bovina, a principal consumida no país, passou 4 anos sem alta de preços ao mesmo tempo que os custos de produção não paravam de subir.

"Alguma correção de preços era esperada. Em termos de inflação, o impacto maior já aconteceu, e, a partir de agora, não será mais tão relevante", afirma Bovo.

 

Fator Índia

Para avaliação dos valores a abertura de novos mercados não pode ser descartada, já que poderia alterar a atual dinâmica de preços. A avaliação de especialistas, setor e governo leva em conta o cenário atual de oferta e demanda, mas existe um fator que pode mexer novamente com o mercado de carnes: a Índia.

No fim do mês, o presidente Jair Bolsonaro e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, visitarão o país a fim de abrir o mercado para as proteínas brasileiras.

Vale lembrar que a Índia tem uma população acima de um bilhão pessoas, que está aumentando seu poder aquisitivo e, consequentemente, a demanda por carnes.

"Nós agora estamos indo para a Índia, que é um grande mercado que o Brasil quer acessar e isso faz parte da dinâmica do nosso mercado da nossa produção", disse a ministra.

 

Fonte: G1 Economia | Fotos: G1

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