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09/09/2020

Cultivar de capim-elefante pode ser usada na alimentação de peixes e aves

da redação

Os teores de proteína bruta variam de 18% a 20% e os coeficientes de digestibilidade estão entre 68% e 70%, quando bem manejado

A novidade veio do Rio Grande do Sul. Sérgio Bender, especialista da Embrapa Clima Temperado, diz que a cultivar BRS Kurumi, desenvolvido na Embrapa Gado de Leite, nas atividades do Programa de Melhoramento de Capim-elefante, pode ser uma ótima alternativa na alimentação de peixes e aves.

A hipótese foi se confirmando aos poucos, por meio do feedback dos próprios produtores. Bender tem recomendado a cultivar como alternativa de alimentação de baixo custo para criadores da carpa capim, um peixe onívoro que se adaptou muito bem à gramínea.

O pesquisador ensina que o capim deve ser cortado ainda jovem para alimentar os peixes, garantindo maior teor de proteína e menos fibras. A utilização do capim-elefante para alimentar peixes já é tradicional, mas segundo os produtores que têm contato com Bender, o Kurumi tem superado todas as expectativas.

No caso das aves, a cultivar é recomendada para as aves coloniais. Pode ser fornecido picado ou a folha inteira. Bender, que trabalha com transferência de tecnologia em agricultura colonial, diz que produtores de suínos e cavalos também tem reportado a boa adaptação dos animais à cultivar.  Isso se deve ao seu valor nutritivo. Os teores de proteína bruta variam de 18% a 20% e os coeficientes de digestibilidade estão entre 68% e 70%, quando bem manejado.

Gado de leite

A BRS Kurumi foi desenvolvida para a intensificação da produção de leite a pasto com menor uso de concentrado, altas taxas de lotação e excelente desempenho por animal. Por ser uma planta tropical, adapta-se a maior parte das regiões brasileiras. Apresenta porte baixo e é adequada ao pastejo. A forrageira tem crescimento vegetativo vigoroso com rápida expansão foliar e intenso perfilhamento.

É indicada para uso forrageiro nos biomas Mata Atlântica, Amazônia e Cerrado, mas tem sido adotada, com sucesso, por produtores no Sul do país. Iniciou-se mais recentemente a expansão nas regiões Centro-Oeste.

O plantio da cultivar deve ser feito no início do período chuvoso. “Para as regiões Sudeste e Centro-Oeste, o período ideal para plantar é de meados de novembro a meados de janeiro. Na região Sul, o plantio deve ocorrer na primavera”, recomenta o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Carlos Augusto de Miranda Gomide.

Gomide reforça que, para obter êxito no plantio da BRS Kurumi, é importante conhecer bem as características do solo. O pesquisador adverte, ainda, que a adubação fosfatada deve ser realizada no sulco de plantio, com base no resultado da análise de solo.

O plantio do capim-elefante é feito em sulcos com 20 cm de profundidade e espaçamento variando de 50 a 80 cm. A primeira adubação em cobertura deve ser realizada 60 a 70 dias após o plantio, depois do pastejo de uniformização. Esta adubação, assim como as demais no primeiro ano de cultivo, pode ser feita apenas com nitrogênio e potássio. A partir do segundo ano, recomenda-se a inclusão de fósforo na adubação em cobertura.

O pesquisador salienta que o capim-elefante é extremamente exigente em fertilidade de solo. “Dessa forma, a falta de adubações de manutenção é uma das principais causas de degradação das pastagens e insucesso no seu uso”, ressalta. Outro aspecto fundamental é que a cultivar BRS Kurumi é suscetível ao ataque de cigarrinha-das-pastagens, portanto não é recomendado o cultivo em áreas com histórico de infestação de cigarrinhas.

O manejo correto de plantas daninhas na implantação e condução do capim-elefante é de grande importância, uma vez que a cultura é muito sensível na sua fase inicial de crescimento. A cultura é instalada no período chuvoso, que por sua vez coincide com temperaturas altas, fato que favorece o surgimento de espécies daninhas.

Fonte: Canal Rural

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