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15/10/2020

Produtora tocantinense ganha destaque internacional

Por Leide Theophilo/ com edição do Tocantins Rural
Imagem: Vayrene Milhomem da Silva
Imagem: Vayrene Milhomem da Silva

 

Vayrene Milhomem da Silva é agricultora familiar e no último dia 9 ganhou destaque e repercussão ao ser publicada no site da FAO

No dia 15 de outubro é comemorado o Dia Internacional das Mulheres Rurais, e no início do mês, foi lançada a Campanha #MulheresRurais, Mulheres com Direitos, dando visibilidade as iniciativas transformadoras que ajudam a mudar a vida de mulheres rurais, indígenas e afrodescendentes que vivem e trabalham em um contexto de desigualdades estruturais e desafios sociais, econômicos e ambientais.

Este é o 5º ano da campanha e entre as ações que integram a programação estão à identificação e difusão de mulheres rurais promotoras da alimentação saudável, guardiãs da terra, líderes e empreendedoras, com base em três eixos principais: direitos e autonomia econômica; papel produtivo em sistemas agroalimentares; redução de lacunas e uma vida livre de violência.

Na América Latina e Caribe, mais de 60 milhões de mulheres vivem em territórios rurais, e, entre elas,  no Tocantins a história da agricultora familiar, Vayrene Milhomem da Silva, ganhou destaque e repercussão ao ser publicada no site da FAO, no último dia 09 do corrente mês.

“Eu me sinto honrada e agradecida por representar todas as mulheres rurais do estado do Tocantins. O reconhecimento nacional e internacional vem depois de 20 anos de muito trabalho e dedicação. As palavras me faltam para poder expressar  a minha gratidão."  declarou após ser questionada de como se sentia ao ver sua história sendo escolhida pelo FAO.

História

Vayrene Milhomem da Silva é agricultora familiar e herdou de seus pais agricultores, há vinte anos, 135,5 hectares de terra. Hoje, a propriedade é conhecida como Fazenda São Jorge, e fica no município de Barrolândia, Tocantins. Antes de ser produtora, ela era comerciante, tinha um mercado local. Entretanto, desde que recebeu sua herança, se fixou no campo de onde não saiu desde então.

Com muita dedicação, conseguiu construir uma agroindústria, a Font’Fruit Polpas Naturais. A empresa é administrada pela família, que hoje é responsável por todo o trabalho, desde a produção e processamento até a comercialização em feiras livres de produtores, entregas domiciliares e em mercados institucionais. Entre os programas que apoiam o desenvolvimento da atividade de Vayrene, estão o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

A Secretaria Municipal de Agricultura de Barrolândia e a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Aquicultura do estado, esta última,  por meio do suporte da Gerência de Fomento à Agroindústria, foram grandes parceiras para a adequação de registro sanitário e planta industrial, sendo essenciais para a concretização e a regularização sanitária da empresa.

A ideia de trabalhar com processamento de frutas e frutos nativos surgiu porque a região de cerrado, onde está localizada a fazenda de dona Vayrene, é rica em frutos naturais de sabores exóticos e muito apreciados pelos consumidores. Além de serem nutracêuticos em sua maioria, como é o caso do buriti, murici, pequi, cagaita, araçá-boi e tamarindo.

A fazenda São Jorge produz banana e acerola, além de goiaba e manga. Entre outras atividades da propriedade também estão o extrativismo sustentável de pequi, cajuí, cagaita etc. O que não falta são árvores frutíferas do cerrado na propriedade.

Superando os desafios

Para alcançar seu sonho, Vayrene passou por muitas dificuldades. No início, apesar de ter toda a riqueza natural, ainda faltava capital para investir. Com o passar do tempo, ela comprou uma despolpadeira de frutas e começou a processar frutos nativos de sua propriedade, depois, a cada dois meses, comprava um bezerro com o propósito de, com o dinheiro da venda futura, começar a construir a agroindústria.

Com o primeiro dinheiro da venda dos bezerros, construíram a sede da indústria e, aos poucos, equiparam e melhoraram a estrutura da unidade de processamento.

Neste ano, em meados de maio, o tão esperado sonho de obter uma agroindústria registrada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), foi alcançado. Hoje conseguem realizar o processamento de uma grande quantidade de polpas: goiaba, mangaba, manga, acerola, caju, buriti, araçá-boi, tamarindo, murici, pequi, cagaita, cupuaçu, abacaxi, graviola e maracujá.

Fortalecendo o desenvolvimento rural

Muitas das mulheres rurais da região de Barrolândia, no Tocantins, assim como dona Vayrene, realizam o extrativismo sustentável de frutos do cerrado. Ao ser questionada sobre seus sonhos, ela conta que “deseja ver as mulheres rurais e famílias de sua região como vencedoras dos desafios da produção agrícola e extrativista”.

Atualmente, com o objetivo de ser um bom exemplo de determinação e perseverança para outras produtoras, é tesoureira na Associação dos Produtores Rurais e Gastronômicos de Paraíso-TO  (AFEIPAR), a qual conta com 45 associados.

E mesmo com tantas realizações, a produtora não pretende parar de evoluir seu negócio. O objetivo é aumentar a área agricultável de sua propriedade, que hoje é de 1,5 alqueires. Ela tem esperança de que haja, cada vez mais, incentivos por meio de políticas públicas adequadas e que viabilizem tanto a sua produção quanto das famílias agrícolas e extrativistas da região onde mora.

 

Fonte: Seagro

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