A suspeita de sobrepreço de alimentos adquiridos pela Prefeitura de Palmas para a merenda escolar das escolas municipais está sendo investiga da pela 10ª Promotoria de Justiça da Capital. Foi instaurado um inquérito civil público nesta quinta-feira (27) que aponta um aumento de até 449% no valor dos itens.
De acordo com o Ministério Público estadual (MPTO), está sendo apurado os indícios de sobrepreço em um contrato emergencial no valor de R$ 33,6 milhões firmado pela prefeitura. A gestão do programa foi alterada por meio da medida provisória nº 7/2025, para aquisição dos gêneros alimentícios também é alvo do inquérito.
A prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), informou que recebeu o requerimento de informações sobre o processo de aquisição de alimentos e que a documentação será fornecida no prazo estabelecido (veja nota completa no fim da matéria).
O MPTO vai analisar a contratação direta feita pelo Município no valor total de R$ 33.626.578,69, para o fornecimento de alimentos voltados à merenda das unidades escolares da capital. Também será apurado o cumprimento da exigência legal de comprar, no mínimo, 30% dos produtos da agricultura familiar e as normas da nova Lei de Licitações (nº 14.133/2021) que prevê as condições para a dispensa emergencial e a pesquisa de preços.
Sobre a alteração da medida provisória, o MPTO informou que a Secretaria Municipal de Educação passou a ser responsável pela execução centralizada ou terceirizada da alimentação. Entretanto, segundo a Promotoria, a situação pode afetar negativamente a administrativa e financeira das escolas, prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Conforme requerimento do Ministério, a Semed terá que encaminhar em um prazo de dez dias para enviar a documentação relacionada ao processo de contratação direta e a documentação que fundamentou a edição da medida provisória questionada pelo órgão.
Além disso, determinou que o Controle Interno do Município deverá enviar o relatório de auditoria que identificou o sobrepreço.
O Conselho de Alimentação Escolar (CAE/Palmas) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE/TO) também serão oficiados para prestar informações dentro do inquérito civil.
Íntegra da nota da prefeitura
A Prefeitura de Palmas informa que recebeu, via Controladoria Geral do Município, solicitação do Ministério Público requerendo informações sobre o processo de aquisição de alimentos para a merenda escolar. Toda a documentação requisitada será fornecida dentro do prazo estabelecido.
A Prefeitura de Palmas reafirma que as medidas adotadas visam a oferta de uma merenda escolar de qualidade e com obediência às normas legais e os princípios da administração pública.
Por Patricia Lauris, g1 Tocantins e TV Anhanguera.