A safra 2025/26 de soja começou dentro da normalidade e com potencial de crescimento, cenário raro, aponta a Agroconsult, organizadora do Rally da Safra. A conjuntura positiva fez a expedição projetar crescimento de 5,9% na produção em relação ao ciclo anterior, indicando uma colheita de 182,2 milhões de toneladas.
A produtividade média brasileira é estimada em 62,3 sacas por hectare, contra 60 sacas da temporada passada. Já a área plantada deve alcançar 48,8 milhões de hectares, incremento próximo de 1 milhão de hectares ante à última temporada.
Conforme a Agroconsult, a ausência de problemas extremos e a expansão moderada da área plantada colocam a safra de soja 25/26 em um patamar distinto das anteriores. Isso porque nos anos anteriores, logo no início do Rally, os sinais de quebra eram evidentes:
- Em 2022/23, o Rio Grande do Sul apresentava forte comprometimento produtivo;
- Em 2023/24, o Mato Grosso já indicava perdas; e
- Em 24/25, novamente o Rio Grande do Sul enfrentava um início de ano muito seco e quente.
Segundo a consultoria, na safra 2025/26 o panorama é outro. “As lavouras sustentam, até o momento, potencial produtivo dentro da média dos últimos cinco anos, sem projeções de recordes, mas também sem alertas de perdas expressivas, configurando um cenário equilibrado”, destaca a empresa, em nota.
Quanto ao aumento de produção e área nesta safra, o sócio-diretor da Agroconsult e coordenador geral do Rally da Safra, André Debastiani, considera que o movimento é impulsionado por diferentes fatores: investimentos de grupos agrícolas com visão de longo prazo; valorização da terra, especialmente em regiões de conversão de pastagens para agricultura; e a presença de produtores com maior solidez financeira, que aproveitam o momento para ampliar sua operação.
Estados com aumento de área

O Rally mostra que alguns estados se destacam pela expansão de área plantada com soja. Neste rol, Mato Grosso lidera, com acréscimo de 277 mil hectares em relação à safra anterior. Goiás também avança, com quase 159 mil hectares adicionais, enquanto Maranhão, Piauí e Tocantins somam 108 mil hectares de incremento.
Os resultados da expedição mostram que o único estado com redução de área é o Rio Grande do Sul (menos 42 mil hectares), onde parte das áreas que haviam migrado do milho verão para a soja na safra passada retornou ao milho nesta temporada.
Além disso, conforme Debastiani, o ambiente econômico e financeiro mais restritivo no estado limita novos investimentos, levando produtores a priorizar áreas mais produtivas e a deixar de lado regiões marginais, especialmente no sul gaúcho.
O sócio-diretor da Agroconsult ressalta que as expectativas iniciais de que o ambiente econômico pressionaria os investimentos no campo não se cumpriram. “Os produtores têm mantido bons volumes de adubação, ainda que sem crescimento, e seguem investindo em tecnologia. Fora o Rio Grande do Sul, onde há redução no uso de tecnologia, os demais estados preservam um padrão sólido de investimento, com foco em altas produtividades.”
De acordo com ele, tal conjunto forma o segundo fator positivo desta safra: além da expansão de área, há manutenção da tecnologia empregada, fundamental para sustentar o potencial produtivo.
As equipes técnicas do Rally percorrerão mais de 100 mil km por 14 estados (MT, MS, GO, DF, MG, SP, PR, SC, RS, MA, PI, TO, BA e PA). Segundo Debastiani, essas áreas visitadas respondem por 97% da área de produção de soja e 72% da área de milho.
Por Canal Rural.


















