Estado perdeu sete agtechs em 2025, enquanto crescimento se espalha para regiões mais próximas da produção
O Tocantins registrou redução no número de startups voltadas ao agronegócio em 2025, na contramão do movimento nacional de expansão e interiorização da inovação no campo. É o que aponta a 6ª edição do Radar Agtech Brasil, levantamento da Embrapa em parceria com SP Ventures e Homo Ludens.
De acordo com o estudo, o estado perdeu sete agtechs no último ano, ao lado do Distrito Federal. No mesmo período, o Brasil alcançou a marca de 2.075 startups do agro, crescimento de 5% em relação a 2024. Apesar da desaceleração no ritmo de surgimento de novas empresas, o levantamento indica um avanço qualitativo do setor, com maior consolidação dos modelos de negócio.
Um dos principais movimentos observados é a descentralização geográfica das agtechs, que passam a se aproximar das regiões produtoras. Ainda que Sul e Sudeste concentrem 79% dessas empresas, regiões como Norte, Nordeste e Centro-Oeste vêm ampliando sua participação. O Centro-Oeste, por exemplo, já soma 7,1% das agtechs do país.
Segundo os pesquisadores, essa mudança está diretamente ligada ao crescimento de startups que atuam “dentro da fazenda”, segmento que já representa 41,1% do total. A tendência indica maior conexão direta com o produtor rural e com os desafios do dia a dia no campo.
Mesmo com esse avanço, a queda no número de empresas no Tocantins acende um alerta sobre o posicionamento do estado no ecossistema de inovação agropecuária. O levantamento sugere que, após um período de crescimento acelerado entre 2019 e 2021, o setor entra em uma fase de maturidade, em que permanecem as iniciativas mais estruturadas e sustentáveis.
Além disso, o ambiente de investimentos se tornou mais desafiador, exigindo das startups maior eficiência e foco em resultados desde as fases iniciais. A inteligência artificial, por sua vez, já está presente em 83% das agtechs, consolidando-se como base tecnológica do setor.
Para especialistas, o futuro da inovação no agro brasileiro dependerá menos da quantidade de novas empresas e mais da qualidade das conexões entre produtores, startups e investidores. Nesse cenário, estados com forte vocação agrícola, como o Tocantins, têm potencial para retomar protagonismo, desde que consigam fortalecer seus ambientes de inovação e atrair novos empreendimentos.















