Temperaturas acima da média e déficit hídrico devem afetar lavouras, pastagens e elevar o risco de queimadas no estado e em outras áreas do Matopiba
O Tocantins deve enfrentar um trimestre de estiagem mais intensa entre julho e setembro. A previsão é do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que aponta redução das chuvas, temperaturas acima da média e aumento do déficit hídrico em grande parte da região central do Brasil, cenário que pode comprometer a segunda safra de milho, dificultar a recuperação das pastagens e ampliar o risco de queimadas.
Embora algumas regiões do Tocantins tenham registrado chuvas isoladas ao longo de julho, essas precipitações são pontuais e não alteram a perspectiva de déficit hídrico prevista para o trimestre, segundo o Inmet. O comportamento irregular das chuvas mantém a preocupação dos produtores rurais, que acompanham atentamente a evolução da umidade do solo tanto para a conclusão da segunda safra de milho quanto para o planejamento da próxima safra de verão. Com a aproximação da janela de plantio da soja, prevista para iniciar a partir de setembro, as condições climáticas passam a ser decisivas para o estabelecimento das lavouras e para o potencial produtivo da safra 2026/27.
De acordo com o Boletim Agroclimatológico do Inmet, o Tocantins está entre os estados que devem registrar precipitações abaixo da média nos próximos meses. Em algumas localidades, o déficit hídrico poderá ultrapassar 130 milímetros, enquanto as temperaturas podem ficar até 2°C acima da média histórica.
As condições climáticas aumentam a preocupação principalmente entre os produtores de milho segunda safra. A falta de umidade pode intensificar o estresse hídrico das lavouras que ainda estão em fase de desenvolvimento, reduzindo o potencial produtivo. Além disso, a estiagem tende a dificultar a recuperação das pastagens, impactando diretamente a pecuária e elevando os custos com alimentação dos rebanhos durante o segundo semestre.
Além do Tocantins, o cenário também se estende aos demais estados do Matopiba. Maranhão, Piauí e Bahia, onde a combinação entre calor e baixa umidade preocupa especialmente os cultivos conduzidos em sistema de sequeiro, como milho e feijão.
Outro fator de atenção é o aumento do risco de incêndios florestais. Segundo o Inmet, a redução da umidade do solo, aliada às temperaturas elevadas, favorece a ocorrência de queimadas e contribui para a diminuição dos níveis dos rios, situação comum durante o período seco na região.
Sul terá cenário oposto
Enquanto o Centro-Oeste, parte da Região Norte e o Matopiba enfrentam previsão de estiagem, a Região Sul deve continuar registrando chuvas frequentes. Os maiores acumulados são esperados para o norte do Rio Grande do Sul e o sul de Santa Catarina, onde os volumes podem superar 150 milímetros em alguns períodos.
Embora as precipitações favoreçam o desenvolvimento das culturas de inverno, o excesso de umidade pode aumentar a incidência de doenças causadas por fungos e dificultar operações no campo, como a aplicação de defensivos e fertilizantes.
El Niño continua influenciando o clima
Segundo o Inmet, o fenômeno El Niño permanece ativo e deve continuar influenciando o comportamento do clima no Brasil até, pelo menos, fevereiro de 2027. A expectativa é de manutenção do contraste climático entre as regiões do país, com chuvas acima da média na Região Sul e temperaturas elevadas em boa parte do Centro-Norte brasileiro, cenário que exige atenção redobrada dos produtores rurais para o planejamento da próxima safra e para o manejo das culturas e das pastagens.
Por Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), com informações adaptadas do ClicRDC.


















