Feijão-caupi registra maior percentual no estado; milho e sorgo também estão contemplados pelo PGPAF entre 10 de agosto e 9 de setembro
Agricultores familiares do Tocantins que possuem operações de crédito rural enquadradas no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) poderão contar com bônus de desconto para produtos que apresentaram preços de mercado inferiores aos valores de garantia. No estado, o benefício alcança o feijão-caupi, o milho e o sorgo, com percentuais que chegam a 47,38%.
Os valores constam na Portaria SAF/MDA nº 372/2026, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), publicada no Diário Oficial da União. O documento informa os percentuais do Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF) que serão aplicados às parcelas ou à liquidação de operações de crédito rural do Pronaf entre 10 de agosto e 9 de setembro de 2026. Os cálculos consideram os preços médios de mercado registrados em julho.
O maior percentual registrado para o Tocantins é o do feijão-caupi, com bônus de 47,38%. O preço de garantia da cultura foi estabelecido em R$ 285,06 por saca de 60 quilos, enquanto o preço médio de mercado considerado ficou em R$ 150, diferença de R$ 135,06 por saca.
O milho também aparece na relação. No estado, o preço de garantia é de R$ 52,39 por saca de 60 quilos, diante de um preço médio de mercado de R$ 47,74. Com a diferença entre os valores, o bônus definido pelo programa é de 8,88%.
Para o sorgo, o percentual estabelecido é de 8,37%. A saca de 60 quilos tem preço de garantia de R$ 39,29, enquanto o preço médio de mercado utilizado no cálculo foi de R$ 36.
A portaria também apresenta para o Tocantins bônus de 2,22% para a cesta de produtos, indicador calculado a partir da média ponderada dos bônus de feijão, leite, mandioca e milho. Os dados utilizados na definição dos preços são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Como funciona o bônus
O PGPAF funciona como um mecanismo de proteção para agricultores familiares que contrataram financiamentos do Pronaf. Quando o preço médio de mercado de determinado produto fica abaixo do preço de garantia estabelecido pelo programa, é calculado um percentual de bônus que pode ser aplicado no pagamento ou amortização das operações enquadradas nas regras.
A própria portaria determina que somente os produtos e estados relacionados em seu anexo possuem direito ao percentual divulgado para o período. Para agosto, os bônus são calculados com base nos preços observados em julho e permanecem válidos até 9 de setembro.
No Tocantins, a diferença observada principalmente no feijão-caupi chama atenção. O preço médio de R$ 150 por saca corresponde a pouco mais da metade dos R$ 285,06 estabelecidos como preço de garantia, o que explica o bônus de 47,38% previsto pelo programa.
Alternativas de culturas
Além do cenário de preços, o planejamento das culturas que sucedem a soja também exige atenção às condições climáticas e à janela disponível para o plantio no Tocantins.
De acordo com o engenheiro agrônomo Antônio Cássio, produtores devem avaliar estratégias de diversificação produtiva, especialmente nas áreas em que a colheita da soja ocorrer depois dos dias 20 ou 25 de fevereiro. Segundo ele, a partir desse período, o risco para o milho segunda safra se torna mais elevado diante da redução da janela de chuvas.
Uma das alternativas apontadas é o gergelim, cultura que vem crescendo no Tocantins e apresenta resistência ao estresse hídrico e ciclo adaptado ao período final da janela de chuvas.
Outra possibilidade é justamente o sorgo, uma das culturas contempladas pelo PGPAF no Tocantins neste mês. Mais rústico que o milho, apresenta tolerância a veranicos e a condições de menor reserva hídrica no solo, características que podem favorecer sua utilização em áreas plantadas mais tarde.
O feijão-caupi, que recebeu o maior bônus do PGPAF entre os produtos tocantinenses relacionados individualmente na portaria, também é apontado como alternativa. Tradicional nas regiões Norte e Nordeste, a cultura possui ciclo curto e boa adaptação às temperaturas elevadas do Tocantins, além de possibilitar um retorno financeiro em período mais curto.
A combinação entre condições de mercado e riscos climáticos reforça a importância do planejamento antes da definição da segunda safra. A escolha entre milho, sorgo, feijão-caupi, gergelim ou outras culturas deve considerar a época de plantio, disponibilidade hídrica, características da propriedade, custos de produção e possibilidades de comercialização.


















