Decisão determina desbloqueio de estrada usada há décadas para chegar ao atrativo em Paranã; proprietário da Fazenda Catoá afirma que fechamento prejudicou turismo e comunidade que também vive da agricultura
A Justiça determinou a liberação do acesso à Cachoeira do Catoá, um dos atrativos naturais de Paranã, no sul do Tocantins, após uma disputa envolvendo propriedades rurais da região. O caminho, utilizado por moradores, guias e turistas, havia sido bloqueado na passagem por uma fazenda vizinha.
A decisão foi proferida no dia 17 de setembro pelo juiz Frederico Paiva Bandeira, da 1ª Escrivania Cível de Paranã. A determinação estabelece que os responsáveis pela área vizinha se abstenham de restringir o trânsito pelas servidões já existentes que dão acesso à Fazenda Catoá.
O bloqueio ocorreu após uma porteira localizada na Fazenda Santana ser fechada com correntes e cadeados. Segundo a decisão judicial, o trecho é o caminho mais antigo e acessível para chegar à cachoeira e vem sendo utilizado há décadas por moradores, guias, vans e visitantes.
A Justiça considerou ainda que a restrição de acesso provocou impactos sobre o turismo e a economia do Povoado Campo Alegre e do município de Paranã.
Família afirma viver na área há mais de 40 anos
Proprietário da Fazenda Catoá, Ismael Farias Batista afirma que sua família vive na região há mais de quatro décadas e mantém atividades ligadas tanto ao turismo quanto à agricultura.
Segundo ele, os moradores chegaram a ser chamados de invasores durante os conflitos envolvendo a área.
“Somos nascidos e criados naquele local e estamos ali para receber o turista. Até então a gente era muito invisível e após a gente entrar com essa demanda na Justiça, começamos a criar visibilidade. Até então todo mundo dizia que a gente era invasor”, afirmou ao g1 Tocantins.
Ismael também relata que a propriedade mantém produção agrícola, com cultivo de alimentos como laranja, banana, abacate e mandioca.
“A gente hoje vive em torno do turismo e da agricultura. Nós plantamos, vendemos, usufruímos daquilo que nós temos. Temos hoje um pomar com muita laranja, banana, abacate, temos a mandioca. Ouvir que a gente é invasor, mesmo nascido e criado no lugar, isso nos traz uma grande tristeza”, relatou.
Multa pode chegar a R$ 50 mil
A decisão estabeleceu prazo de cinco dias, contado a partir da intimação, para que o acesso fosse desobstruído.
Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 500, limitada a R$ 50 mil.
A determinação judicial também impede que os proprietários da área onde fica o acesso desenvolvam atividades comerciais relacionadas à Cachoeira do Catoá.
A reportagem original do g1 informou ter procurado as defesas dos proprietários da área vizinha responsável pelo bloqueio, mas não havia recebido manifestação até a última atualização da publicação.
Cachoeira tem queda de 70 metros
Localizada no povoado Campo Alegre, próximo à divisa entre Tocantins e Goiás, a Cachoeira do Catoá tem uma queda d’água de aproximadamente 70 metros e é cercada pela vegetação do Cerrado.
O local possui dois poços com características diferentes: um de águas verde-esmeralda e temperatura mais baixa e outro abastecido por uma nascente de águas azul-turquesa e mornas.
O atrativo fica a cerca de 460 quilômetros de Palmas. O percurso inclui uma trilha de aproximadamente seis quilômetros, considerando ida e volta, classificada como de dificuldade média.
A entrada custa R$ 50, segundo informações divulgadas sobre o atrativo. O período entre abril e outubro é apontado como o mais indicado para visitação. Para chegar ao local, é recomendado o uso de veículo 4×4, principalmente quando as condições da estrada são afetadas pelas chuvas.
Com informações do g1 Tocantins.

















