Captação cresceu 3,86% no mês, enquanto custos de produção voltaram a subir e importações permaneceram elevadas
O preço médio do leite cru pago ao produtor apresentou pouca variação em agosto, mas o avanço da oferta deve aumentar a pressão sobre as cotações em setembro e outubro. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
Na chamada “Média Brasil” líquida, o preço alcançou R$ 2,8869 por litro em agosto, alta real de 0,7% em relação a julho e de 9,18% na comparação com agosto de 2025. Os valores foram deflacionados pelo IPCA de agosto de 2026.
A estabilidade ocorreu mesmo com aumento da oferta em algumas regiões. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) avançou 3,86% de julho para agosto, indicando recuperação da produção, principalmente no Sul do país.
Segundo o Cepea, a sustentação dos preços de alguns derivados e a demanda ainda relativamente firme impediram quedas mais intensas no período.
Custos de produção voltam a subir
Depois de dois meses de relativa estabilidade, os custos da pecuária leiteira voltaram a avançar em agosto.
O Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 0,63% na “Média Brasil”, influenciado principalmente pelo encarecimento dos insumos utilizados na alimentação do rebanho.
As altas registradas anteriormente nos preços do milho e da soja foram repassadas aos concentrados, que ficaram 1,2% mais caros em agosto.
Importações seguem elevadas
As importações brasileiras de lácteos recuaram 2,54% de julho para agosto, totalizando 230,3 milhões de litros em equivalente-leite.
Apesar da queda mensal, o volume ficou quase 40% acima do registrado em agosto de 2025.
O leite em pó respondeu por 72,3% das importações, com 166,58 milhões de litros em equivalente-leite, volume 0,99% superior ao de julho.
Segundo o Cepea, a entrada elevada de produtos importados continua ampliando a oferta disponível no mercado interno e limitando a sustentação dos preços domésticos.
Derivados começam a perder sustentação
Depois de um agosto de relativa estabilidade, as negociações de derivados já apresentavam sinais de menor sustentação em setembro.
A maior disponibilidade de leite, especialmente no Sul do país, com o avanço da produção associado à safra, vem ampliando a oferta de matéria-prima e pressionando as cotações dos derivados no atacado do Sudeste.
Em São Paulo, os preços do leite UHT e do leite em pó avançaram 4,65% e 1,80%, respectivamente, em agosto. Já a muçarela permaneceu praticamente estável, com leve alta de 0,62% frente a julho.
Pressão sobre preços deve continuar
Para os próximos meses, a expectativa do Cepea é de recuo nas cotações do leite cru em setembro e continuidade desse movimento em outubro.
A perspectiva está relacionada à recuperação da oferta, à maior disponibilidade de matéria-prima e à permanência das importações em volumes elevados.
Esse cenário tende a manter a pressão sobre os preços pagos ao produtor, principalmente à medida que a produção avança nas regiões onde a oferta vem se recuperando.
Ao mesmo tempo, os custos dentro das propriedades continuam no radar. A alta dos concentrados registrada em agosto mostra que, mesmo diante de uma possível redução nas cotações do leite, parte dos gastos com alimentação do rebanho segue pressionada.
Com isso, o produtor pode enfrentar um ambiente de menor sustentação da receita com a venda do leite enquanto componentes importantes do custo de produção permanecem mais elevados.
As importações também continuam sendo um fator relevante para o equilíbrio do mercado doméstico. Mesmo com a queda mensal registrada em agosto, o volume adquirido no exterior segue bem acima do observado no mesmo período do ano passado, ampliando a disponibilidade de lácteos no país.
Para setembro e outubro, portanto, o comportamento da oferta nacional, das importações e dos custos de produção deverá seguir no centro das atenções do setor leiteiro.

















