Crescimento da produção de grãos, incorporação de tecnologias e desenvolvimento de cultivares adaptadas aumentaram a importância dos multiplicadores de sementes na região
O avanço da agricultura no Matopiba ao longo dos últimos 15 anos também transformou a cadeia de sementes na região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Com a expansão das lavouras, maior adoção de tecnologias e desenvolvimento de cultivares adaptadas às condições regionais, a atividade dos multiplicadores passou a ocupar posição estratégica dentro da produção de grãos.
Esse processo foi lembrado durante a comemoração dos 15 anos da Associação dos Produtores de Sementes dos Estados do Matopiba (Aprosem), realizada em Brasília. A entidade surgiu em Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia, justamente em um período de crescimento da agricultura na região e, posteriormente, ampliou sua atuação para os quatro estados.
A cadeia de sementes funciona como uma das pontes entre o desenvolvimento de novas tecnologias e sua aplicação nas propriedades rurais. É por meio da multiplicação que materiais desenvolvidos a partir de genética, biotecnologia e pesquisa chegam em escala comercial aos produtores.
Com isso, o crescimento da produção de soja e de outras culturas no Matopiba também ampliou a demanda por sementes adaptadas às diferentes condições de solo, clima e manejo encontradas na região.
Para Cristiane Morinaga, produtora associada à Aprosem, a evolução da atividade acompanhou o próprio crescimento agrícola do Matopiba.
“Ao comemorar os 15 anos da Aprosem, comemoramos também o avanço da cadeia de multiplicadores de sementes e, consequentemente, da produção de soja em todo Matopiba, nos consolidando como uma fronteira potente e extremamente relevante para a agricultura nacional”, afirmou.
Segundo ela, a organização dos produtores também teve participação nesse processo. “Isso só deu certo por causa da união e, sobretudo, da visão de desenvolvimento que tivemos lá atrás. Mas, olhando para o futuro, eu vejo a Aprosem ainda mais forte e organizada, investindo cada vez mais em profissionalização e ampliando ainda mais os resultados.”
Da genética à lavoura
A produção de sementes integra uma cadeia que começa antes mesmo da implantação das lavouras comerciais. Empresas de genética e biotecnologia desenvolvem materiais com características específicas, enquanto os multiplicadores são responsáveis por ampliar a disponibilidade dessas sementes para os agricultores.
Na avaliação do diretor institucional da Amssoja Brasil, a organização dos diferentes segmentos contribui para aproximar tecnologia e produção.
“Somos um elo dessa cadeia organizada, somos os obtentores de genética e biotecnologia entregues aos agricultores para que eles tenham o melhor desempenho dentro de campo. Então, os multiplicadores de sementes são os responsáveis por todo desenvolvimento de mercado”, afirmou.
Além da produção propriamente dita, entidades ligadas ao setor atuam na discussão de temas regulatórios, tecnológicos e de políticas públicas que afetam o mercado de sementes.
Matopiba ampliou participação na produção agrícola
Nas últimas décadas, Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia passaram por uma expansão da agricultura empresarial, impulsionada, entre outros fatores, pela incorporação de tecnologia, profissionalização da gestão e desenvolvimento de materiais adaptados às condições do Cerrado.
Nesse cenário, a qualidade das sementes se tornou um dos fatores diretamente relacionados ao estabelecimento das lavouras e ao potencial produtivo das culturas.
Foi nesse período de transformação que a Aprosem estruturou sua atuação junto aos multiplicadores da região. Atualmente, a associação participa da representação institucional do setor e da articulação entre produtores, empresas e outras organizações da cadeia.
Os 15 anos da entidade foram celebrados em Brasília, em evento realizado no Lago Paranoá, com participação de associados e representantes do agronegócio. Na ocasião, também foi lançada uma revista que reúne registros sobre a evolução da associação e da produção de sementes no Matopiba.

















