Após forte pressão do setor agropecuário, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ampliou o programa de renegociação de dívidas rurais e passou a incluir também os financiamentos de custeio da safra 2024/25. A decisão beneficia produtores impactados por eventos climáticos extremos, especialmente no Sul do país, e ocorre em um momento considerado decisivo para a reorganização financeira do setor.
A ampliação do escopo do programa foi detalhada pela diretora do BNDES, Maria Fernanda Coelho, em entrevista concedida nesta quarta-feira (21) ao programa Mercado e Companhia. Segundo ela, a medida provisória tem alcançado os resultados esperados desde sua criação. Até o momento, mais de 22 mil operações já foram contratadas, totalizando cerca de R$ 6 bilhões, de um montante de R$ 12 bilhões disponibilizados para renegociação.
De acordo com Maria Fernanda, a iniciativa está alinhada a um conjunto de ações do governo federal voltadas ao apoio aos produtores rurais afetados por perdas climáticas. Somente em 2024, o BNDES destinou bilhões de reais em crédito, garantias e suspensão de pagamentos, com destaque para as ações emergenciais no Rio Grande do Sul. Considerando todas as frentes do governo federal, os recursos superaram R$ 100 bilhões.
Inicialmente lançado em outubro, o programa previa a renegociação de dívidas contratadas até 2024. Com a ampliação anunciada em dezembro, passaram a ser incluídos também créditos e Cédulas de Produto Rural (CPRs) referentes à última safra, com contratos firmados até 30 de junho de 2025. O prazo para adesão segue até o dia 10 de fevereiro, ampliando o leque de produtores que podem ser atendidos pela medida.
Estudos realizados pelo governo indicam que cerca de 96% do público potencialmente beneficiado será contemplado. Atualmente, aproximadamente 60% das renegociações envolvem pequenos e médios produtores, enquadrados no Pronaf e no Pronamp. A medida provisória também prevê uma reserva significativa para esses perfis, sinalizando prioridade aos produtores em situação de maior vulnerabilidade.
Segundo a diretora do BNDES, a renegociação das dívidas é fundamental para a recomposição do fluxo de caixa, o acesso a novo crédito e o planejamento da próxima safra. Ela destacou ainda que a ampla rede de instituições financeiras parceiras do banco, presente em mais de 95% do território nacional, está mobilizada para orientar os produtores e viabilizar o acesso ao programa.
Maria Fernanda ressaltou que os efeitos da medida já começam a ser percebidos, com impactos positivos também sobre o mercado de alimentos. De acordo com ela, somadas às ações da Conab, as iniciativas do governo contribuíram para a redução do preço da cesta básica nas 27 capitais brasileiras, reforçando o papel do programa no apoio aos produtores que atuam diretamente na produção de alimentos.
Sobre o prazo de adesão, que se encerra em 10 de fevereiro, a diretora afirmou não acreditar que seja necessária uma prorrogação. Segundo ela, o governo federal, os veículos de imprensa, os ministérios envolvidos e as instituições financeiras têm atuado de forma integrada para divulgar a medida e garantir que os produtores tenham acesso às informações e ao processo de renegociação.
Por meio das instituições financeiras parceiras, cujos gerentes e técnicos atuam diretamente na ponta, os produtores conseguem reorganizar sua estrutura produtiva, recuperar a capacidade de investimento e se preparar para acessar novos créditos dentro do Plano Safra, garantindo a continuidade da atividade rural.
Por Canal Rural.


















