A crise no setor de sementes de soja fez mais uma vítima. O grupo Formoso, dono da Uniggel, uma das principais sementeiras do País, protocolou um pedido recuperação judicial, apurou The AgriBiz.
O caso ainda corre em segredo de justiça, mas passou a circular no mercado nesta quarta-feira. O pedido foi feito em 18 de dezembro, pouco antes do recesso judicial.
Fundada pelos irmãos Fausto, Ronan e Sérgio Garcia, a Uniggel faz parte de um grupo de origem goiana que reúne sementeira e produção agrícola no Cerrado, além de operações de esmagamento de soja e algodão.
Ao todo, o grupo deve aproximadamente R$ 1,3 bilhão, incluindo todo o passivo com bancos, mercado financeiro, fornecedores, entre outros.
No auge, o grupo agrícola chegou a faturar quase R$ 1,5 bilhão, com a sementeira responsável por aproximadamente R$ 550 milhões desse total, de acordo com os dados financeiros mais recentes disponíveis.
Nos últimos tempos, a escassez de crédito e o cenário adverso para as sementeiras, que sofrem com o excesso de estoques, expuseram os problemas de liquidez da companhia.
A saída foi apelar à Justiça para tentar se proteger de execuções e renegociar as dívidas.
Em novembro, as dificuldades do grupo começaram a circular pelo campo, especialmente após a divulgação de uma carta enviada por Luiz Fernando Sampaio, gerente de compras da Uniggel, aos fornecedores.
No documento, o executivo reconheceu a dificuldade da Uniggel em renovar as linhas de crédito com bancos públicos como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O crédito das instituições privadas também rareou, em uma reação de aversão a risco por causa da disparada das recuperações judiciais no campo.
Neste ano, a Uniggel teria amortizado mais de R$ 120 milhões com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco da Amazônia. A expetativa é que os valores que seriam recompostos por novas linhas de crédito, que não vieram, relatou Sampaio na carta aos fornecedores.
A Uniggel foi afetada por recuperações judiciais de clientes, que trouxeram um impacto negativo de R$ 20 milhões, além de negociar mais R$ 10 milhões em recebíveis da safra anterior.
Diante disso, o grupo goiano vinha pleiteando a rolar os pagamentos das dívidas com fornecedores para fevereiro de 2026. Ao que tudo indica, a companhia não teve sucesso.
Atualmente, boa parte do passivo está nas mãos dos bancos, mas a companhia também possui credores no mercado de capitais.
Em 2023, a Uniggel levantou R$ 130 milhões em CRAs, em uma transação coordenada pelo Rabobank. Atualmente, as dívidas desses papéis somam R$ 117 milhões. O título vence em 2029 e possui uma taxa de CDI + 4,15% ano.
Os CRAs possuem fazendas dos sócios, localizadas em Mato Grosso do Sul e Tocantins, em alienação fiduciária.
Em teoria, a garantia livra os credores do mercado de capitais da recuperação judicial, mas a prática mostra que cumprir a letra da lei é mais complexo do que parece. Entre os credores no mercado de capitais, estão fundos de gestoras como a Riza (RZAG11) e a Kijani.
No processo, a Uniggel é representada por Alan Rogério Mincache, do escritório de advocacia paranaense Federiche Mincache.
Procurada, a companhia enviou a nota abaixo, reproduzida na íntegra:
“O Grupo Formoso, com mais de 35 anos de atuação no agronegócio brasileiro, informa que protocolou, no dia 18/12, pedido de recuperação judicial. A companhia segue em plena atividade, mantendo o funcionamento regular de suas operações e contribuindo para o fortalecimento e desenvolvimento da produção agrícola nacional, preservando a confiança que sempre marcou sua trajetória no mercado.
O processo tramita atualmente sob segredo de justiça, conforme previsto na legislação vigente, e encontra-se em análise pelo Poder Judiciário, o que, neste momento, impede a divulgação de informações adicionais.
O Grupo Formoso reafirma o seu compromisso com colaboradores, clientes e fornecedores, sempre com respeito às relações cultivadas ao longo desses anos, ações reforçadas sempre pela transparência e pautadas pela ética.”
Por The AgriBiz.















