Especialista da Afya explica por que a falta de planejamento e a dificuldade de acesso ao mercado ainda limitam o potencial do estado
A piscicultura tem se consolidado como uma alternativa econômica em expansão no Tocantins, impulsionada pelas condições climáticas favoráveis e pela adaptação de espécies tropicais ao ambiente local. Os dados mais recentes sobre o setor, disponibilizados pelo IBGE, indicam que a produção de peixes no estado cresceu mais de 30% em 2024, reforçando o potencial do setor.
O clima propício, a abundância de água e uma legislação menos burocrática fazem do Tocantins um produtor em potencial, principalmente de espécies nativas, como explica a zootecnista e professora dos cursos de Agronomia e Agronegócio da Afya Porto Nacional, Kétuly Ataides. “O nosso clima e as condições ambientais permitem que diversas espécies tropicais se adaptem muito bem. Hoje, o mercado do Tocantins está mais focado nos peixes nativos.”
De acordo com o IBGE, o tambaqui é o pescado mais produzido, respondendo por cerca de 48,5% da produção, seguido pelo tambacu e pela tambatinga, com aproximadamente 25,7%, enquanto o pintado e espécies semelhantes representam cerca de 12,4%.
Já a tilápia ainda tem participação menor, em torno de 4,3%, embora apresente crescimento percentual significativo. No entanto, fatores mercadológicos e logísticos ainda dificultam a competitividade frente a polos produtores dessa espécie já consolidados em outras regiões do país.
Desafios
Para quem deseja iniciar na atividade, a professora destaca que o planejamento técnico é decisivo para o sucesso do empreendimento. Um dos erros mais comuns, segundo ela, está na escolha inadequada do sistema de produção para a espécie cultivada e no dimensionamento incorreto da quantidade de peixes.
“Muitos produtores acreditam que, enquanto couber peixe no viveiro, dá para colocar. Mas o peixe cresce, a demanda por oxigênio aumenta e a quantidade de matéria orgânica também. Quando o sistema não comporta mais aquela biomassa, o produtor acaba perdendo grande parte do lote”, alerta a zootecnista. Uma falha que “faz com que muitos produtores desistam logo no início”.
Outro ponto crítico é o cuidado com a qualidade da água, que deve começar antes mesmo da chegada dos peixes. De acordo com Kétuly, esse preparo inicial é frequentemente negligenciado. “O planejamento da qualidade da água precisa acontecer antes do povoamento e ser mantido ao longo de todo o ciclo produtivo. Infelizmente, muitos piscicultores ainda não trabalham de forma preventiva, não possuem equipamentos para monitorar a água e só tentam resolver o problema quando ele já está instalado”, afirma.
A adoção de boas práticas de manejo e sanidade também aparece como um desafio recorrente. Mesmo com a presença de órgãos de extensão rural que oferecem suporte técnico gratuito ou a baixo custo, ainda há resistência por parte de muitos produtores. “É muito mais uma questão cultural. Muitos não ajustam corretamente o uso da ração, jogam mais ou menos do que deveriam, o peixe não apresenta o desempenho esperado, fica mais tempo no sistema e o custo final aumenta”, observa Kétuly. Para ela, a solução passa por mudanças dentro da propriedade, com maior abertura à orientação técnica e à gestão adequada do manejo.
Mercado
Além dos desafios técnicos, o acesso ao mercado ainda é considerado um dos principais gargalos da piscicultura no Tocantins. A professora aponta a deficiência na estrutura de frigoríficos como um entrave para a consolidação da cadeia produtiva. “Não temos frigoríficos suficientes e, quando existem, muitas vezes pagam um valor abaixo do esperado. O pequeno produtor, que já tem um custo elevado, acaba não conseguindo competir”, explica. Diante disso, muitos recorrem à venda direta ao consumidor final, prática que envolve riscos sanitários e de fiscalização, mas que se torna uma alternativa diante da falta de opções estruturadas de beneficiamento.
Nesse cenário, a formação de profissionais qualificados é apontada como estratégica para o fortalecimento da piscicultura no estado. “O Tocantins ainda tem uma grande deficiência de técnicos especializados em piscicultura. Não temos cursos específicos no estado, então as universidades acabam assumindo esse papel. A Afya Porto Nacional tem disciplinas voltadas à piscicultura, setor próprio para acompanhamento do ciclo produtivo, oportunidades de estágio e eventos técnicos, o que permite que os alunos saiam preparados para atender às demandas do produtor rural”, afirma.
Afya Amazônica
A Afya tem uma forte relação com a Amazônia, com 16 unidades de graduação e pós-graduação na Região Norte. O estado de Tocantins conta com três instituições de graduação: Afya Palmas, Afya Porto Nacional e Afya Unitpac (em Araguaína) e uma unidade de pós-graduação na capital tocantinense. Tem ainda nove escolas de Medicina em outros estados da Região: Acre (1) Amazonas (2), Rondônia (2) e Pará (4). Além delas, a Afya também está presente na região com 3 unidades de pós-graduação médica nas capitais Belém (PA), Manaus (AM) e Porto Velho (RO).
Sobre a Afya
A Afya, maior hub de educação e tecnologia para a prática médica no Brasil, reúne 38 instituições de ensino superior em todas as regiões do país, 33 delas com cursos de medicina e 20 unidades que promovem pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde. São 3.653 vagas de medicina autorizadas pelo Ministério da Educação (MEC), com mais de 23 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq, em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil, e “Valor 1000” (2021, 2023 e 2024) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 — Saúde e Bem-Estar. Mais informações em http://www.afya.com.br e ir.afya.com.br.
Por Cênicas Comunicação.


















