Os frigoríficos brasileiros avaliam as alternativas para lidar com a nova cota para exportação de carne bovina à China, de 1,1 milhão de toneladas, e a tarifa de 55% para os embarques que excederem esse volume. Uma opção discutida no setor é a distribuição da cota entre os exportadores, medida que pode enfrentar resistência de algumas empresas.
A distribuição dos volumes seria uma tentativa de evitar uma corrida para compra de gado por frigoríficos exportadores, com o intuito de atender a cota. Se isso ocorrer, num momento em que a oferta de gado de pasto é maior, os preços da arroba podem recuar, já que a tendência é que os pecuaristas vendam, disse o diretor da Scot Consultoria, Alcides Torres.
“Se as empresas não conseguirem um consenso, o preço cai porque vai todo mundo correr para entregar carne dentro da cota”, afirmou. “A ideia é distribuir essa cota entre os frigoríficos exportadores, tendo como base o desempenho de exportação em 2025 ou nos últimos anos”, acrescentou.
Uma fonte da indústria observou, no entanto, que isso não seria uma tarefa simples, visto que algumas companhias tiveram discordâncias recentes em outros temas.
Um exemplo é a relação entre MBRF, resultado da fusão entre Marfrig e BRF, e a Minerva, companhias que passaram por conflitos em 2025, quando a Minerva se mostrou contrária à união.
“A Minerva estaria crescendo nos embarques para a China, dada a aquisição de plantas da Marfrig, mas não tem histórico disso ainda, então colocar critérios como esse e chegar em consenso (para distribuir a cota) me parece algo desafiador com esses players”, disse a fonte ao Valor. Questionadas, MBRF e Minerva não comentaram.
As empresas do setor também defendem, junto ao governo federal, que as cargas brasileiras que estão nos portos chineses ou em trânsito, rumo à China, não sejam incluídas na cota que entrou oficialmente em vigor no dia 1 de janeiro. Esses volumes representam cerca de 350 mil toneladas.
Paulo Bellicanta, presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo MT), afirmou, em artigo, que se esses volumes forem considerados dentro da cota, restariam pouco mais de 750 mil toneladas disponíveis para produção destinada ao mercado chinês durante todo o ano de 2026.
“Dividido pelos 12 meses, esse volume se traduz em aproximadamente 62,5 mil toneladas mensais, um patamar totalmente desconectado da realidade atual do setor”, estimou. Para efeito de comparação, o Brasil vinha exportando, nos últimos meses, volumes superiores a 160 mil toneladas mensais à China. “O único caminho possível é o diálogo institucional com as autoridades chinesas, em busca de um entendimento equilibrado, construído de governo para governo”, sugeriu Bellicanta.
Uma terceira demanda da indústria frigorífica para lidar com a situação seria a possibilidade de o Brasil assumir o excedente de outros países fornecedores que não conseguirem completar suas cotas para a China.
Além do Brasil, países como Argentina, Uruguai, Austrália e EUA receberam cotas chinesas.
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