O Tocantins vem se consolidando como uma das fronteiras mais promissoras da pecuária de corte no país. Segundo a Adapec, o rebanho bovino no estado cresceu 39,2% entre 2018 e 2024, superando 11 milhões de cabeças e colocando o Tocantins na sexta posição nacional em expansão. Com a atividade em ritmo acelerado e sistemas produtivos cada vez mais técnicos, a genética tem assumido papel estratégico na elevação da produtividade e da qualidade do rebanho.
Nesse cenário, a escolha do reprodutor passa a ser determinante para os resultados da produção ao longo dos anos. Mais do que um componente do rebanho, o touro influencia diretamente características como ganho de peso, precocidade, fertilidade, eficiência alimentar e qualidade de carcaça. Por isso, a decisão de compra vai além de critérios visuais ou oportunidades de mercado, exigindo análise técnica, histórico genético e alinhamento com os objetivos da fazenda.
O avanço das ferramentas de melhoramento genético tem tornado essa escolha mais precisa no país. Atualmente, grande parte dos touros disponíveis no mercado conta com avaliações como as DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie), que indicam o potencial produtivo da linhagem.
O gerente de pecuária do grupo Otávio Lage e associado da Novilho Precoce, Leonardo Rios, destaca que essa previsibilidade é um dos fatores que garante mais segurança ao produtor. “Hoje o produtor tem muito mais segurança na hora da compra. As DEPs já indicam o que esperar da progênie e, com a genômica, essa precisão aumenta ainda mais, principalmente em animais jovens, tornando a tomada de decisão mais segura e assertiva”, afirma.
Apesar do avanço tecnológico, o ambiente onde o touro é selecionado continua sendo determinante para o resultado no campo. No Tocantins, o clima quente, o regime de chuvas bem definido e o sistema a pasto influenciam diretamente o desempenho do rebanho.
Segundo Juliana Oliveira, coordenadora do núcleo NELORE JEM – Motta Agropecuária e associada da Novilho Precoce, mesmo com valores genéticos semelhantes, é fundamental avaliar o fenótipo do animal dentro da estratégia e da realidade de cada propriedade. “Não adianta o touro ter excelentes avaliações genéticas se ele não atende ao sistema produtivo e aos objetivos da fazenda. O perfil do animal e a estratégia da propriedade precisam caminhar juntos para gerar resultado”, explica.
Além de contribuir para resultados mais consistentes dentro das propriedades, a valorização da genética desenvolvida no Tocantins também fortalece o setor produtivo local, estimula a troca de conhecimento entre produtores e contribui para a consolidação de um padrão genético mais eficiente no estado.
Para o presidente da Novilho Precoce, Fernando Penteado, o avanço da genética está diretamente ligado à profissionalização da pecuária. “A gente vive um momento em que o produtor precisa tomar decisões cada vez mais técnicas. A Associação atua justamente para apoiar o associado com informação, orientação e conexão com iniciativas de melhoramento genético”, completa.



















