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29/03/2021

Brasil tem protocolo para combater Peste Suína Africana no país

Por Eliza Maliszewski/ com edições do Tocantins Rural

 

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

A doença é altamente contagiosa e não tem cura nem tratamento para suínos e javalis

A Peste Suína Africana (PSA) conseguiu afetar a principal produtora de suínos do mundo e causa transtornos em muitos países. O surto começou em setembro de 2018 em suínos de subsistência na China e fez o mercado mundial entrar em pânico. Atualmente atinge países da Europa, Ásia e África.

A doença é altamente contagiosa e não tem cura nem tratamento. Ela acomete suínos e javalis, mas não causa efeitos em humanos. Conseguiu afetar o gigante rebanho suíno chinês que somava números gigantes no setor: cerca de 428 milhões de cabeças, mais da metade da população de suínos do mundo; maior produção, com 54 milhões de toneladas de carne no ano passado, mais que a soma dos outros nove maiores produtores mundiais; maior consumo com 55 milhões de toneladas de carne, 18 vezes maior que no Brasil, quinto no ranking mundial; a maior importação, demandando 1,56 milhão de toneladas.

O vírus da PSA foi identificado pela primeira vez na África, no início do século 20, e se estima que chegou à Europa em 1957 por meio de restos de alimentos servidos em aviões contendo produtos derivados de suínos contaminados com PSA. No Brasil, o vírus foi identificado em 1978 em suínos de subsistência, em Paracambi, no Rio de Janeiro. A PSA foi erradicada e o Brasil é considerado livre da doença desde 1984.

 

Doença de notificação obrigatória aos órgãos oficiais nacionais e internacionais de controle de saúde animal, a PSA tem potencial para rápida disseminação e drásticas consequências socioeconômicas.

“O impacto da introdução da PSA nos Estados Unidos foi estimado em US$ 16,5 bilhões apenas no primeiro ano de surto. Uma avaliação superficial da introdução do vírus na população de suínos do Brasil mostra que o prejuízo ficaria em torno de US$ 5,5 bilhões, baseado no número de suínos abatidos por ano. Porém, fica difícil estimar os custos para o cenário brasileiro, devido às particularidades da produção e diferenças nos sistemas de vigilância e monitoria”, diz a pesquisadora e chefe geral da Embrapa Suínos e Aves, Janice Zanella.

Uma vacina já está em desenvolvimento pelo USDA, órgão da agricultura do governo norte-americano. Mas, enquanto ela não é aprovada e comercializada, em casos de surtos da doença o abate sanitário dos animais e a destinação adequada das carcaças são obrigatórios. Não há números oficiais, ao menos divulgados, mas se estima que o abate de animais na China por causa da peste suína africana já chegou a dezenas de milhões.

Transmissão do vírus da PSA

A PSA é transmitida principalmente pelo contato direto entre suínos infectados e suscetíveis (domésticos ou asselvajados, como os javalis) ou através da ingestão de produtos de origem suína contaminados com o vírus.


Na Europa, o ciclo de infecção mais comum detectado é o de suínos que se infectam ao ingerir produtos cárneos de origem suína contaminados com o vírus da PSA, como salames e embutidos, oriundos de restos da alimentação humana. Após alguns dias, os animais iniciam a eliminação viral por meio das secreções e excreções. Além disto, o vírus persiste no sangue e nos tecidos após a morte, tornando-se fonte de infecção para outros suínos.

Sinais clínicos

O período de incubação da doença em geral é de 4 a 19 dias e sua severidade está relacionada a diferentes fatores. “Vai depender, por exemplo, da virulência da estirpe viral, da via e dose de infecção e do status imune do animal hospedeiro”, diz a pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves Rejane Schaefer.

Rejane explica que em sua forma aguda, a doença se caracteriza por vermelhidão e hemorragias na pele; anorexia, apatia, cianose e falta de coordenação motora dentro de 24-48 horas antes da morte; aumento da frequência respiratória; vômitos, diarreia (por vezes sanguinolenta) e secreções oculares.

Diagnóstico e inativação do vírus

O diagnóstico do vírus inclui técnicas moleculares e deve ser realizado em laboratórios oficiais com amostras de linfonodo, rim, baço, pulmão, sangue e soro. As técnicas de diagnóstico mais frequentemente utilizadas para a detecção e identificação do vírus da PSA são a imunofluorescência direta, teste de hemadsorção e PCR. Para programas de controle e erradicação da PSA é indicado o teste de ELISA para detecção de anticorpos.

Prevenção da entrada do vírus no Brasil

O Brasil tem um sistema de vigilância das síndromes hemorrágicas que inclui a realização de testes laboratoriais para PSA como diagnóstico diferencial de Peste Suína Clássica (PSC). O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) implementou cuidados nas fronteiras e na importação de produtos agrícolas e alimentos de países onde a PSA está ocorrendo.

A analista da Embrapa Suínos e Aves Danielle Gava diz que, caso ocorra um surto no país, as ações de controle da doença incluem o abate sanitário rápido de todos os suínos; a eliminação adequada de carcaças e limpeza e desinfecção completas das instalações; a designação da zona infectada, com controle de movimentação e trânsito dos suínos; e uma pesquisa epidemiológica detalhada, com rastreamento de possíveis fontes de infecção e de disseminação, além da vigilância da zona infectada e da área circundante.

Medidas de controle para evitar a PSA no Brasil

– Políticas de importação rigorosas de suínos vivos e de produtos de origem suína de países ou regiões afetadas pela PSA
– Descarte adequado (que inclui o tratamento térmico) de resíduos de alimentos de aeronaves, navios ou veículos provenientes de países com ocorrência da PSA
– Não alimentar suínos com produtos cárneos de origem suína, oriundos de restos da alimentação humana
– Treinar veterinários e produtores para reconhecer a doença
– Caçadores que tenham participado de atividades de caça em países com ocorrência da PSA não devem trazer subprodutos da caça para o país

Os casos suspeitos devem ser reportados ao Serviço Veterinário Oficial Estadual. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) tem um Laboratório Oficial, o Lanagro, em Minas Gerais, com capacidade para diagnóstico da PSA

Fonte: Agrolink

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