No Tocantins, quando as chuvas chegam com força entre outubro e março, o cenário no campo muda rapidamente. O capim cresce, as pastagens ficam verdes e o rebanho encontra condições favoráveis para ganhar peso. É o chamado período das Águas, fase considerada a mais produtiva da pecuária de corte.
Mas, junto com a abundância de forragem, vem também um desafio que muitas vezes passa despercebido: o impacto do excesso de umidade na suplementação do gado.
O zootecnista Julio Matos, da InovaBov Consultoria em Agronegócio, explica que a transição da seca para as chuvas exige atenção redobrada do produtor.
“O período das Águas é marcado por uma mudança importante na qualidade do pasto. Saímos de uma forragem seca e fibrosa para um capim jovem, com alta concentração de água. Essa transição exige ajuste na dieta para que o animal mantenha desempenho”, afirma.
Embora o pasto esteja verde e abundante, isso não significa que ele supre todas as exigências nutricionais do rebanho. O capim das Águas pode apresentar desequilíbrios minerais, especialmente de fósforo, além de ter grande volume de água na composição, o que dilui nutrientes importantes.
Outro ponto crítico é o efeito direto da chuva sobre o suplemento mineral. Quando exposto à umidade, o produto pode empedrar, perder qualidade ou até sofrer fermentação indesejada. Em suplementos com ureia, o contato excessivo com água pode representar risco de intoxicação.
“O excesso de umidade compromete o consumo do suplemento. O sal pode empedrar, alterar cheiro e sabor, e o animal simplesmente deixa de consumir. Quando isso acontece, o ganho de peso e a eficiência do sistema são impactados”, alerta Julio Matos.
Entre os erros mais comuns nesse período estão deixar o sal descoberto no cocho, não ajustar a formulação para a estação chuvosa e acreditar que apenas o pasto verde é suficiente. Especialistas recomendam cochos cobertos, armazenamento adequado e monitoramento constante do consumo por animal.
Para o presidente da Associação de Pecuaristas do Tocantins – Novilho Precoce, Fernando Penteado, o período das Águas representa uma grande oportunidade produtiva, desde que haja planejamento.
“As águas são o momento de acelerar o ganho de peso e buscar padronização dos animais. Mas isso só acontece com estratégia nutricional e manejo correto. Não é porque o pasto está bonito que podemos relaxar no acompanhamento técnico.”
A orientação é clara: chuva é sinônimo de crescimento no campo, mas também de atenção redobrada dentro da porteira.
Por Ascom Novilho Precoce Tocantins.


















