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	<title>Proceder III Archives - Tocantins Rural</title>
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	<title>Proceder III Archives - Tocantins Rural</title>
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		<title>30 anos do Prodecer III: A saga dos pioneiros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Yuri Felipe Sousa - Jornalista]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 15:55:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 1996, 41 produtores iniciaram em Pedro Afonso um desafio que parecia maior que o próprio Cerrado: transformar terras até então pouco exploradas em lavouras produtivas. Três décadas depois, o município colhe os frutos de um dos maiores acordos de cooperação internacional já firmados entre Brasil e Japão, o Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o [&#8230;]</p>
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<p>Em 1996, 41 produtores iniciaram em Pedro Afonso um desafio que parecia maior que o próprio Cerrado: transformar terras até então pouco exploradas em lavouras produtivas. Três décadas depois, o município colhe os frutos de um dos maiores acordos de cooperação internacional já firmados entre Brasil e Japão, o Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer III).</p>



<p>A terceira fase do programa consolidou-se no Tocantins como marco da modernização agrícola. Financiado pelos governos brasileiro e japonês, por meio da&nbsp;<em>Japan International Cooperation Agency (JICA)</em>, além de bancos privados japoneses, o projeto contou com investimento total de cerca de US$ 850 milhões.</p>



<p>O objetivo era claro: desenvolver agricultura de alta tecnologia no Cerrado, ampliar a produção de soja e grãos e estruturar um modelo baseado em crédito, tecnologia e cooperativismo, o chamado “tripé de sustentação”.</p>



<p><strong>Desafios dos pioneiros</strong></p>



<p>Dos 41 produtores selecionados, incluindo uma cooperativa, seis já atuavam no Tocantins: João Damasceno de Sá Filho, Euid Eduardo de Moura, Sílvio Espedito Sandri, Pedro Afonso Oliveira Tavares, Gilberto Sobreira e Antônio Milhomem de Castro. Os demais (<strong>relação completa ao final da matéria</strong>) vieram de outros quatro estados — Minas Gerais (17), São Paulo (13), Goiás (3) e Paraná (3) —, atraídos por um modelo de assentamento dirigido que exigia investimento próprio (10% do capital) e disposição para começar do zero.</p>



<p>O engenheiro agrônomo Pedro Afonso Oliveira Tavares, de família tradicional família pedroafonsina, conheceu o projeto ainda em 1991, quando trabalhava na Secretaria Estadual da Agricultura, em Palmas (TO). “Fiquei animado para fazer parte de algo que poderia transformar o Tocantins em um grande celeiro de alimentos”, relembra.</p>



<p>Selecionado pela&nbsp;<em>Companhia de Promoção Agrícola (CAMPO)</em>, braço técnico responsável por executar o programa em parceria com a&nbsp;<em>Brasagro&nbsp;</em>(Brasil) e a&nbsp;<em>Jadeco&nbsp;</em>(Japão), mudou-se para Pedro Afonso em 1996. No lote 14, implantou 435 hectares de soja, além de milho, feijão irrigado e fruticultura tropical.</p>



<p>Pedro Afonso Tavares lembra que o grupo de agricultores enfrentou muitos obstáculos, sendo um dos principais um impasse judicial com o Banco do Brasil após a interrupção de financiamentos. A disputa se arrasta há quase três décadas. “Apesar disso, seguimos em frente graças à união dos produtores, que buscaram crédito em outras fontes”, afirma.</p>



<p><strong>Cara e coragem</strong></p>



<p>Assim como a dos demais produtores, a história de Mário Hiroshi Okuyama, natural de Sábaudia, no Paraná, é marcada por sacrifício e aposta no futuro. Ele trabalhava no Japão quando surgiu a oportunidade de integrar o projeto. “Foi tudo experiência. Aprendemos mais na prática do que na escola”, resume.</p>



<p>Ele lembra das dificuldades de comunicação, quando celulares eram raridade, e da adaptação da família ao interior. “Chegamos sem conhecer ninguém. Hoje temos amizade nos quatro cantos da cidade”, revela, lembrando que suas três filhas nasceram aqui e a mais velha, a agrônoma Érica, já trabalha com ele na propriedade.</p>



<p>Para o mineiro de Patos de Minas, Márcio Donizete José da Silva, o impacto inicial foi a falta de estrutura urbana. “A cidade era pequena, com poucos recursos. Pegamos o cerrado em pé e começamos do zero: desmatar, corrigir o solo, implantar o plantio direto. Era um desafio enorme”, relembra.</p>



<p>Segundo ele, o Prodecer III mudou não só a vida financeira dos colonos, mas toda a dinâmica regional. “Onde o Prodecer chega, chega o progresso”, afirma o produtor, que tinha 29 anos quando chegou a Pedro Afonso e era o mais jovem dos colonos.</p>



<p><strong>Transformação econômica</strong></p>



<p>Os números confirmam a percepção dos pioneiros. A área plantada no Tocantins tem apresentado um crescimento expressivo e linear nas últimas décadas, saltando de menos de 300 mil hectares na safra 2000/2001 para uma estimativa de 2,57 milhões de hectares na safra 2025/2026, um aumento de mais de 400%. A soja é a principal cultura, com previsão de alcançar 1,68 milhão de hectares na atual safra.</p>



<p>O município de Pedro Afonso passou a integrar a rota das grandes&nbsp;<em>tradings</em>&nbsp;internacionais. A instalação de agroindústrias, como a unidade da&nbsp;<em>BP Bunge</em>&nbsp;no município, consolidou o perfil agroindustrial local. O que antes era Cerrado improdutivo tornou-se área valorizada e estratégica para a exportação de grãos. “Transformamos cerrado bruto em lavoura produtiva”, resume Márcio Donizete.</p>



<p><strong>Legado coletivo</strong></p>



<p>Além da produção, os colonos destacam o espírito de cooperação. A criação da&nbsp;<em>Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (COAPA)</em>&nbsp;para agregar os agricultores é apontada como um dos momentos mais marcantes. “Viramos praticamente uma família”, afirma Márcio Donizete.</p>



<p>Trinta anos depois, Pedro Afonso não é apenas um polo agrícola. Tornou-se símbolo de um modelo que uniu tecnologia, crédito estruturado e a perseverança de produtores brasileiros. “O Prodecer III foi importantíssimo para o desenvolvimento do município e do Estado”, diz Pedro Afonso. “Com trabalho e tecnologia, produzimos alimentos, riquezas e progresso”, conclui.</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Lote</strong></td><td><strong>Colono</strong></td><td><strong>Cidade de origem</strong></td></tr><tr><td>1</td><td>Fulgêncio Branquinho de Oliveira</td><td>Unaí (MG)</td></tr><tr><td>2</td><td>João Damasceno de Sá Filho</td><td>Pedro Afonso (TO)</td></tr><tr><td>3</td><td>Gilberto Caixeta Borges</td><td>Paracatu (MG)</td></tr><tr><td>4</td><td>Manoel Albino Coelho de Miranda</td><td>Campinas (SP)</td></tr><tr><td>5</td><td>Roberto Yoshio Furukawa</td><td>Assaí &#8211; Paraná</td></tr><tr><td>6</td><td>COOPERSAN</td><td>São João da Boa Vista (SP)</td></tr><tr><td>7</td><td>João Gabriel da Costa Noronha</td><td>São João da Boa Vista (SP)</td></tr><tr><td>8</td><td>Marco Balsalobre</td><td>São Paulo (SP)</td></tr><tr><td>9</td><td>Denis de Campos Bernardes</td><td>Rio Verde (GO)</td></tr><tr><td>10</td><td>Luiz Alvino / Edson Auriema</td><td>São Paulo (SP)</td></tr><tr><td>11</td><td>Silvio Espedito Sandri</td><td>Pedro Afonso (TO)</td></tr><tr><td>12</td><td>Marcio Donizete José da Silva</td><td>Patos de Minas (MG)</td></tr><tr><td>13</td><td>Gilberto Sobreira</td><td>Pedro Afonso (TO)</td></tr><tr><td>14</td><td>Pedro Afonso de Oliveira Tavares</td><td>Pedro Afonso (TO)</td></tr><tr><td>15</td><td>Antônio Milhomem de Castro</td><td>Palmas (TO)</td></tr><tr><td>16</td><td>Carlos Vanderlei Figueira</td><td>Ibiporã (PR)</td></tr><tr><td>17</td><td>Elton Valdir Schmitz</td><td>Paracatu (MG)</td></tr><tr><td>18</td><td>Alessandro Vírgílio Zarone</td><td>Buritis (MG)</td></tr><tr><td>19</td><td>Silvio Peres Rodrigues</td><td>Unaí (MG)</td></tr><tr><td>20</td><td>Jacy Luiz da Costa</td><td>São Paulo (SP)</td></tr><tr><td>21</td><td>José Francisco Amaral</td><td>Muriaé (MG)</td></tr><tr><td>22</td><td>Ricardo Benedito Khouri</td><td>Taubaté (SP)</td></tr><tr><td>23</td><td>Leandro de Lima Teixeira</td><td>São João da Boa Vista (SP)</td></tr><tr><td>24</td><td>Cristina Carvalho de Oliveira</td><td>São João da Boa Vista (SP)</td></tr><tr><td>25</td><td>Evanis Roberto Lopes</td><td>Patos de Minas (MG)</td></tr><tr><td>26</td><td>Luiz Carlos de Lima Teixeira</td><td>São João da Boa Vista (SP)</td></tr><tr><td>27</td><td>Glauro Rodrigues da Silva</td><td>Unaí (MG)</td></tr><tr><td>28</td><td>Wilson José de Oliveira</td><td>Patrocínio (MG)</td></tr><tr><td>29</td><td>Arthur Hordones</td><td>Pratinha (MG)</td></tr><tr><td>30</td><td>Antônio Alexandre Bizão</td><td>Rio Verde (GO)</td></tr><tr><td>31</td><td>José Tarcizio Borges</td><td>Coromandel (MG)</td></tr><tr><td>32</td><td>Edmar Corrêa de Oliveira</td><td>Paracatu (MG)</td></tr><tr><td>33</td><td>Francisco Gonzaga Reis</td><td>São Paulo (SP)</td></tr><tr><td>34</td><td>José Guilherme Paggiaro</td><td>São João da Boa Vista (SP)</td></tr><tr><td>35</td><td>Francisco José Moura de Mendonça</td><td>Patos de Minas (MG)</td></tr><tr><td>36</td><td>Leonardo Queiroz Marques</td><td>Patos de Minas (MG)</td></tr><tr><td>37</td><td>Sebastião Antônio Diniz Nogueira</td><td>Rio Verde (GO)</td></tr><tr><td>38</td><td>Mário Hiroshi Okuyama</td><td>Sabáudia (PR|)</td></tr><tr><td>39</td><td>Claúdio Siqueira</td><td>Paracatu (MG)</td></tr><tr><td>40</td><td>Euid Eduardo de Moura</td><td>Pedro Afonso (TO)</td></tr><tr><td>41</td><td>Jorge Luiz Maronezzi</td><td>Monte Carmelo (MG)</td></tr></tbody></table></figure>



<p><em>Por Fred Alves/Assessor de Comunicação.</em></p>



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