O Tocantins figura entre os estados da Região Norte que apresentaram sinais de agravamento do risco de seca na agricultura familiar ao longo de dezembro de 2025, segundo o Boletim RiSAF – Risco da Seca na Agricultura Familiar, divulgado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O documento analisa os impactos do déficit hídrico sobre lavouras de feijão e milho não irrigados, principais culturas da base produtiva familiar no estado.
De acordo com o levantamento, quatro municípios tocantinenses foram classificados com condição de seca severa no mês de dezembro, enquanto outros 25 municípios registraram seca moderada, evidenciando um cenário que exige atenção redobrada de produtores, gestores públicos e órgãos de assistência técnica. O Tocantins concentra, assim, uma das maiores ocorrências de municípios em situação de risco dentro da Região Norte.
Déficit hídrico pressiona calendário agrícola
O monitoramento da severidade da seca é realizado por meio do Índice Integrado de Seca (IIS), que combina dados de precipitação, umidade do solo em até um metro de profundidade e saúde da vegetação. Segundo o boletim, quando a seca ocorre no início do ciclo agrícola, pode provocar atrasos no plantio. Já quando se intensifica no meio do ciclo, o risco passa a ser de quebra de safra, especialmente para a agricultura familiar, que possui menor capacidade de adaptação.
No Tocantins, o cenário observado em dezembro coincide com um período sensível do calendário agrícola, definido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o que amplia a vulnerabilidade das lavouras familiares e pode comprometer a renda de pequenos produtores rurais.
Risco de seca varia conforme o período de plantio
A análise do RiSAF mostra que o risco de seca no Tocantins varia de acordo com o mês em que o plantio foi iniciado. Para áreas plantadas em dezembro de 2025, municípios do estado aparecem majoritariamente nas faixas de risco moderado a alto. Já nos cultivos iniciados em novembro e outubro, o boletim aponta persistência do risco, refletindo a combinação entre exposição ao déficit hídrico e limitações estruturais da agricultura familiar.
Esse quadro reforça que, mesmo sem eventos extremos generalizados, a recorrência de períodos secos é suficiente para gerar impactos relevantes na produção, sobretudo em sistemas dependentes exclusivamente das chuvas.
Agricultura familiar no Tocantins exige atenção permanente
O boletim destaca que o risco de seca não está relacionado apenas ao clima, mas também às condições socioeconômicas e à capacidade adaptativa dos municípios. No Tocantins, onde a agricultura familiar tem papel central no abastecimento local e na segurança alimentar, a combinação entre irregularidade das chuvas e restrições estruturais amplia os desafios no campo.
Embora o documento não aponte, até o momento, perdas generalizadas consolidadas no estado, o Cemaden alerta que a manutenção do déficit hídrico pode resultar em impactos diretos na produção, especialmente se as condições adversas persistirem ao longo do ciclo das culturas.
Monitoramento orienta prevenção e políticas públicas
O RiSAF reforça a importância do monitoramento contínuo da seca como ferramenta estratégica para antecipar riscos e orientar ações de prevenção, assistência técnica e políticas públicas voltadas à agricultura familiar. No Tocantins, os dados indicam a necessidade de planejamento mais cuidadoso da safra, apoio aos pequenos produtores e fortalecimento de estratégias de convivência com a variabilidade climática.
O cenário apresentado no boletim de dezembro de 2025 evidencia que, diante das mudanças no regime de chuvas, o Tocantins precisa manter atenção constante aos indicadores climáticos para reduzir riscos, preservar a produção e garantir a sustentabilidade da agricultura familiar no estado.
Com informações do Cemaden.


















