Os valores do arroz no mercado brasileiro interromperam a trajetória de queda e passaram a mostrar maior firmeza ao final do período de entressafra, movimento percebido também no Tocantins. Levantamentos do Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada indicam que os produtores têm buscado reajustar os preços pedidos pelo cereal, o que intensificou as negociações com a indústria e o comércio no estado. Atualmente, a pedida gira em torno de R$80 por saca, enquanto os compradores sinalizam ofertas próximas de R$75, cenário que tem travado os fechamentos de negócio.
A sustentação dos preços ocorre após um ciclo de desvalorização expressiva ao longo de 2025. No encerramento do ano, o arroz foi comercializado no campo a uma média de R$72 por saca, resultado 36% inferior ao observado em 2024. Dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas apontam que a queda nos preços ao produtor se refletiu no varejo, com redução aproximada de 25% para o consumidor final.
Nos últimos anos, o mercado orizícola brasileiro tem sido marcado por forte oscilação. A migração de parte dos produtores para a soja, cultura considerada mais rentável e com maior facilidade de comercialização, levou à diminuição da área destinada ao arroz. Na safra 2023/24, o plantio ficou em 1,48 milhão de hectares, com produção estimada em 10 milhões de toneladas. A menor oferta, somada ao bom desempenho das exportações, elevou o preço médio pago ao produtor para cerca de R$113 por saca em 2024, pressionando também o custo ao consumidor.
O cenário de valorização incentivou a ampliação da área cultivada na safra 2024/25, que resultou em uma colheita recorde de 12,8 milhões de toneladas. Contudo, o aumento da oferta, aliado à retração da demanda externa, voltou a pressionar os preços no campo e no varejo. Como consequência, o Valor Bruto da Produção do arroz recuou de R$24,8 bilhões em 2024 para R$14,4 bilhões no ano seguinte.
Com informções do Levantamentos do Centro de Estudos Avançados de Economia.















