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Estudo indica sete países como destino alternativo para carne bovina brasileira fora da cota chinesa

por Yuri Felipe Sousa - Jornalista
em: 11/02/2026 09:45
Cat.: Pecuária
A A
China não impôs restrições à carne bovina brasileira, afirma secretário do Mapa

(Foto: Freepik).

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Os 22 países da Liga Árabe aumentaram as compras de carne bovina de diferentes destinos em 62% entre 2022 e 2024, indo de 766 mil toneladas para 1,24 milhão de toneladas, com aumento de 18% no valor, de US$ 4,4 bilhões para US$ 5,2 bilhões, mostra estudo da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB) finalizado em 2026.

Nesse segmento, a região é liderada por três grandes polos de consumo e logística: Egito, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita que, juntos, responderam por 63,7% dessas aquisições no ano retrasado.

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Contudo, Argélia, Iraque, Jordânia e Omã tiveram salto médio de 672% na obtenção da proteína no período, sugerindo a abertura de novos canais comerciais ou mudanças na política governamental de abastecimento.

Ao todo, esses sete países possuem cerca de 276 milhões de habitantes e podem ser, na visão da CCAB, os mais aptos a receber o volume excedente à cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas do produto imposta ao Brasil.

importação de carne países árabes
Importação de carne bovina pelos países da Liga Árabe. Foto: Reprodução/CCAB

O levantamento mostra, ainda, que o mercado egípcio permanece como o de maior volume individual, com 335,2 mil toneladas adquiridas em 2024, apesar de queda de 19% no valor desde 2022, o que reflete a busca por proteínas de menor custo.

Por outro lado, os Emirados Árabes Unidos consolidaram-se como o que melhor remunera, totalizando US$ 1,14 bilhão em compras (+25% no período), com 253 mil toneladas importadas de diferentes destinos. A Arábia Saudita, por sua vez, é o terceiro maior importador da região, com US$ 981 milhões e volume de 202 mil toneladas.

Oportunidades ao Brasil

O mercado brasileiro de proteína bovina tem crescido em participação de vendas aos países do bloco. Ficou em segundo lugar entre os principais fornecedores no período de 2022 a 2024, com 28,4% do mercado, atrás apenas da Índia (34%) e bem à frente do Paquistão, o terceiro colocado (8,2%).

Participação dos países fornecedores de carne bovina para o mercado árabe entre 2022 e 2024
Participação dos países fornecedores de carne bovina para o mercado árabe entre 2022 e 2024. Foto: Reprodução/CCAB

Em 2025, por exemplo, a indústria nacional faturou US$ 1,79 bilhão com as vendas para a região, aumento de 1,91% ante 2024, conforme dados do sistema Agrostat, do Mapa. Assim, as nações árabes foram responsáveis por 10% dos valores obtidos pelos frigoríficos brasileiros exportadores. Para o secretário-geral da CCAB, Mohamad Mourad, há potencial para aumentar significativamente essa participação.

“Os Emirados Árabes Unidos, por exemplo, já são o principal comprador da carne de frango do Brasil e podem crescer ainda mais nesse e em outros mercados, como na carne bovina, assim como as demais nações da região também podem aumentar as compras porque todos elas crescem em termos de população e de economia”, diz.

Segundo ele, as projeções da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira mostram que há potencial de o Brasil aumentar as exportações de proteína bovina aos países do bloco em mais de US$ 1 bilhão no médio prazo, impulsionamento que extrapola a presença nos mercados mais destacados. “Em junho, faremos uma missão empresarial no Marrocos e na Tunísia e levaremos empresários brasileiros para conhecer esses mercados e apresentar nossos produtos”, conta Mourad. Os dois países aumentaram as compras de carne bovina em 74% e 29%, respectivamente, entre 2022 e 2024.

Além disso, Mourad destaca que a pauta exportadora brasileira para os países árabes é concentrada em cortes de alto valor e processamento, como a carne bovina congelada e desossada, que representa cerca de 70% do valor total exportado, e a fresca ou refrigerada desossada. Entretanto, foi em relação à língua e ao fígado bovinos que o salto foi ainda mais surpreendente, de 388% e 104%, respectivamente.

Somado ao apetite árabe por carne bovina, outro facilitador mostrado pelo estudo da CCAB é em relação à abertura proporcionada por alguns desses países ao produto brasileiro:

  • Líbia: não há cobrança de tarifa para nenhuma categoria;
  • Egito: impõe tarifa apenas nos miúdos (5%) e industrializados (20%);
  • Conselho de Cooperação do Golfo (GCC): engloba Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Omã e Bahrein e cobra tarifas que variam de 0% a 6% para carnes e miúdos, modelo semelhante ao seguido pelo Líbano.

Por outro lado, também existem nações árabes que impõem tarifas mais elevadas, concentradas principalmente no norte da África e no Levante, regiões com tradição de pecuária local e que utilizam instrumentos de política fiscal e proteção de mercado:

  • Marrocos: apresenta a maior barreira do bloco, com 200% de tarifa para carne refrigerada. Já para carne congelada e miúdos, a tarifa cai drasticamente para 10%.
  • Sudão: aplica tarifa linear de 40% em todas as categorias;
  • Tunísia e Mauritânia: mantêm tarifas elevadas que variam entre 35% e 38% para carnes frescas e congeladas;
  • Argélia: aplica uma tarifa de 30% em todos os produtos bovinos. Apesar disso, o Brasil conseguiu um crescimento exponencial neste mercado, o que sugere que a demanda superou o custo adicional da tarifa.

Para aumentar a participação brasileira no bloco, a CCAB enfatiza ser necessária a conclusão de acordos como o Mercosul-Emirados Árabes e Marrocos para a isenção de tarifas e obtenção de maior previsibilidade jurídica, bem como focar na abertura sanitária de países com alto potencial de crescimento, como Argélia e Marrocos.

Redirecionamento de exportações

Na visão da CCAB, as oportunidades nos países árabes mostram que o Brasil tem a oportunidade de trabalhar para redirecionar todo o volume que a China deixará de comprar da indústria nacional por conta das medidas de salvaguarda que aplicou no período de 1 de janeiro de 2026 a 31 de dezembro de 2028.

Tal decisão do gigante asiático limita a exportação da proteína brasileira a 1,1 milhão de toneladas, impondo tarifas de 55% ao volume que exceder essa cota, o que torna o embarque inviável. Em 2025, os chineses compraram do Brasil 1,648 milhão de toneladas, gerando receita cambial de US$ 8.844 bilhões.

Assim, ao se considerar os números do ano passado, as novas restrições podem gerar um prejuízo de US$ 2,94 bilhões aos frigoríficos brasileiros que, até o momento, pagavam a tarifa padrão de 12% para entrar no mercado chinês.

Contudo, tal impacto tem, por enquanto, gerado efeito contrário, visto que o Brasil aumentou as vendas externas de carne bovina em 42,5% em janeiro deste ano em relação ao mesmo mês de 2025, com grande parte sendo direcionada, exatamente, para a China, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

No entanto, o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias considera que os importadores asiáticos têm buscado intensificar as compras agora porque elas não serão mais possíveis após o atingimento da cota, o que deve acontecer em meados de setembro.

Já o coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, não acredita que seja possível ao bloco árabe absorver, de imediato, o excedente à cota chinesa, mas que os países da região, especialmente Egito e Emirados Árabes, têm potencial para serem cada vez mais importantes à economia brasileira, uma vez que as indústrias exportadoras já possuem linhas de produção adaptadas às exigências halal e o país conta com número satisfatório de certificadoras. “É um destino importante para o Brasil e tende a crescer nos próximos anos. Para o segmento de aves, por exemplo, já é consolidado como um dos principais mercados para o Brasil”, ressalta.

Por Canal Rural.

Tags: Agronegóciocarne bovina brasileiraEconomiapecuáriaTocantins
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