Desempenho positivo da agroindústria e dos serviços ligados à atividade sustentou avanço de 0,7%, mesmo com retração do setor agropecuário como um todo
Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro registrou queda de 2,01% no primeiro trimestre de 2026, a pecuária seguiu na contramão e manteve crescimento no período. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), realizado em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), aponta que o ramo pecuário avançou 0,70% entre janeiro e março, impulsionado principalmente pela agroindústria e pelos serviços ligados à cadeia produtiva.
Segundo o estudo, o resultado positivo foi sustentado pelo desempenho da agroindústria pecuária, que cresceu 1,93%, e dos agrosserviços, com alta de 1,86%. A expectativa de aumento da produção pecuária elevou a demanda por transporte, comércio e outras atividades de apoio ao setor, contribuindo para o resultado.
Embora o segmento primário da pecuária tenha registrado retração de 1,77%, o desempenho das demais etapas da cadeia foi suficiente para manter o crescimento do ramo, diferentemente da agricultura, que encerrou o trimestre com queda de 3,62%.
De acordo com os pesquisadores do Cepea e da CNA, a retração observada no agronegócio brasileiro foi influenciada principalmente pela expectativa de redução do valor da produção em 2026, reflexo da queda dos preços das commodities. No caso da pecuária, entretanto, a expansão esperada da produção compensou parte desses efeitos, favorecendo os segmentos industriais e de serviços.
O levantamento mostra que o PIB do agronegócio brasileiro está estimado em R$ 3,13 trilhões, dos quais R$ 1,25 trilhão corresponde às atividades pecuárias. Apesar da desaceleração do setor como um todo, os dados indicam que a cadeia da carne continua desempenhando papel importante na sustentação da economia agropecuária brasileira.
Tocantins acompanha cenário positivo da pecuária
O desempenho da pecuária nacional acompanha um momento de expansão da atividade no Tocantins. Entre 2018 e 2024, o rebanho bovino do estado cresceu 39,2%, o sexto maior avanço do país, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Atualmente, o Tocantins reúne mais de 11 milhões de cabeças de gado, consolidando-se entre os dez maiores rebanhos bovinos do Brasil.
O crescimento também é observado na produção. Em 2024, o estado registrou recorde histórico de abates, com cerca de 1,3 milhão de bovinos, e as projeções mais recentes indicam que esse volume poderá superar 1,4 milhão de animais, o equivalente a aproximadamente 381 mil toneladas de carne. Desse total, cerca de 33% da produção é destinada ao mercado externo, evidenciando o fortalecimento da cadeia pecuária e a ampliação da presença da carne tocantinense no comércio internacional.
Nesse contexto, o avanço de 0,70% do ramo pecuário no primeiro trimestre de 2026 reforça a importância da atividade para estados como o Tocantins, onde a expansão da produção tem impulsionado toda a cadeia, desde a indústria frigorífica até os serviços de transporte, armazenagem e comercialização, contribuindo para sustentar o desempenho do setor mesmo em um cenário de pressão sobre os preços das commodities.
















