O Banco do Brasil informou que renegociou R$ 35,5 bilhões em dívidas rurais por meio das linhas com recursos controlados e livres abertas pela Medida Provisória 1.3.14/2025, que perde a validade a partir desta quinta-feira (12/2). Com isso, as renegociações nos parâmetros estabelecidos pela MP foram encerradas na instituição.
A MP 1.314/2025 “caducou” nesta quinta-feira. Ela não chegou a ser votada no Congresso Nacional, onde parlamentares do Rio Grande do Sul, principalmente, tentavam ampliar o escopo das dívidas a serem renegociadas e os valores envolvidos. Agora, a tentativa será aprovar um projeto de lei que permite o uso de até R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal para saldar os débitos dos produtores.
No BB, principal agente financiador do agronegócio brasileiro, foram renegociadas 29 mil operações de crédito de 21 mil clientes. Do total renegociado, R$ 32,2 bilhões são referentes a operações com recursos livres do banco e R$ 3,3 bilhões com fontes supervisionadas.
A instituição não usou todo o saldo disponível na linha com recursos públicos, que era de mais de R$ 4 bilhões. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ainda não divulgou o balanço oficial do programa de renegociação de dívidas, que tinha R$ 12 bilhões. Até a semana passada, pouco mais de R$ 7,5 bilhões haviam sido utilizados para amortizar ou liquidar passivos de agricultores afetados por adversidades climáticas nas últimas safras.
“Durante toda a vigência da MP, trabalhamos forte e conduzimos as operações com elevado rigor técnico, avaliando cuidadosamente a capacidade de pagamento dos produtores e a qualidade das garantias envolvidas. Nossa estratégia foi muito clara: apoiar os clientes na recomposição do fluxo de caixa, analisando caso a caso, e assegurando a continuidade da atividade produtiva”, afirmou, em nota, a presidente do BB, Tarciana Medeiros.
Em 2025, a carteira de agronegócios do Banco do Brasil atingiu o montante de R$ 406,1 bilhões, com crescimento de 2,1% em 12 meses. De julho a dezembro do ano passado, o BB desembolsou R$ 103,9 bilhões no âmbito do Plano Safra 2025/26, além de R$ 12,3 bilhões em linhas para a cadeia de valor. Mesmo assim, o BB viu a inadimplência do setor aumentar pelo décimo trimestre seguido e ultrapassar a marca histórica de 6,09%. Um ano antes, em dezembro de 2024, o índice estava em 2,21%.
As operações vencidas há mais de 90 dias somam R$ 24,7 bilhões. Com as novas regras do Banco Central sobre provisionamento de perdas esperadas, o montante nesta categoria na carteira de agronegócios subiu de R$ 12,2 bilhões no fim de 2024 para R$ 39,1 bilhões em dezembro de 2025, o que representa 9,64% da carteira de R$ 406,1 bilhões.
Mesmo assim, as operações em curso normal, sem prorrogação, somam R$ 341,6 bilhões, uma alta em relação ao trimestre anterior, encerrado em setembro de 2025.
As operações de crédito rural prorrogadas no BB somam R$ 64,6 bilhões.
Por Globo Rural.















