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Home Economia

Comercialização da soja não alcança 40% e levanta dúvida: vender agora ou esperar?

por Yuri Felipe Sousa - Jornalista
em: 13/02/2026 08:32
Cat.: Economia
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Com clima mais estável, Rally da Safra estima safra de soja em 182,2 milhões de toneladas

(Foto: R.R. Rufino/Embrapa).

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A comercialização da soja no Brasil segue em ritmo lento neste início de ano. Segundo o consultor em agronegócio Carlos Cogo, com de 40% da safra 2025/26 negociada até fevereiro, reflexo direto da pressão sobre os preços no mercado interno. “Estamos passando por uma queda dos valores dos prêmios nos portos brasileiros e um recuo do câmbio, o que está pressionando o preço ao produtor”, explica o especialista.

Mesmo com a alta recente das cotações internacionais, impulsionada pela expectativa de novas vendas de soja dos Estados Unidos para a China, o movimento não se refletiu no mercado brasileiro. Cogo afirma que os fatores internos continuam predominando. “As cotações internacionais subiram nas últimas semanas, mas não foram assimiladas aqui no Brasil. O efeito negativo dos prêmios em queda e do dólar cedendo vai se somar, nas próximas semanas, a um aumento sazonal dos preços dos fretes, que também retira preço FOB.”

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Com o avanço da colheita, a tendência é de manutenção desse ritmo mais cauteloso nas negociações. “O produtor deve manter essa postura mais lenta, reduzindo a velocidade de negociação da safra 25/26 e já buscando algumas oportunidades para 26/27”, diz.

A rentabilidade é outro ponto de atenção. Segundo o consultor, a margem líquida neste ciclo é a menor da série histórica. “Para um produtor de Mato Grosso com produtividade de 65 sacas por hectare, a margem líquida de rentabilidade, considerando o custo total de produção, está em torno de 3% a 4%. É a menor da nossa série histórica, iniciada em 2010”, destaca.

Para a safra 2026/27, o cenário também pode permanecer pressionado, especialmente diante da perspectiva de aumento da área de soja nos Estados Unidos. “Há sinalização de que o produtor americano deve ampliar a área plantada de soja e reduzir a de milho, o que pode gerar ainda mais inchaço nos estoques globais e levar a preços mais deprimidos no mercado global”, avalia.

Ele ressalta, no entanto, que o clima pode alterar essa dinâmica ao longo do segundo semestre. “Uma eventual ocorrência de fenômeno climático pode trazer impacto ao mercado futuro de soja. Há histórico de quebras de safra em anos de El Niño e isso pode ser precificado em algum momento no mercado futuro porque temos registros de quebras de soja em anos de aparição.”

O consultor da Safras & Mercado, Rafael Silveira, observa que o mercado internacional reagiu a um comentário do ex-presidente norte-americano Donald Trump sobre possíveis compras chinesas de soja dos Estados Unidos. “Isso gerou especulação e alta na Bolsa de Chicago, mas o impacto no Brasil foi limitado devido aos prêmios nos portos. Chicago subiu, mas ainda é preciso ver se a China vai comprar todo esse volume”, pondera.

Segundo Silveira, a comercialização brasileira segue atrasada em relação a anos anteriores. Os dados mais recentes indicam que cerca de 34% na safra atual foi negociada, número abaixo dos 40% registrados no mesmo período do ano passado e também inferior à média de 45,2% das últimas cinco temporadas. O atraso reflete o cenário de preços pressionados e margens estreitas.

Silveira diz que os valores atuais não animam o produtor. “Os preços estão baixos e as margens apertadas. Com dificuldade de crédito e necessidade de caixa, muitos produtores devem vender agora, buscar aplicações financeiras e tentar reduzir custos para maximizar a rentabilidade, mesmo que ela não seja elevada”, afirma.

Ele destaca que o custo do dinheiro pesa nas decisões. Com juros em torno de 15% ao ano, a venda da soja e a aplicação dos recursos em renda fixa podem ajudar a reduzir o custo de oportunidade e preservar margem. “Em alguns casos, vender a soja agora e aplicar o recurso pode ser uma alternativa para não perder tanto, principalmente diante da dificuldade de acesso ao crédito”, explica.

O avanço da colheita, somado às chuvas intensas em partes do Centro-Oeste e aos problemas climáticos no Sul, também influencia o mercado. Em Mato Grosso, há preocupação com a logística e com a qualidade do grão, fatores que podem pressionar ainda mais os preços em algumas praças. Com maior oferta no curto prazo e necessidade de caixa, esse cenário tende a forçar vendas, especialmente entre produtores mais alavancados.

Apesar da recente alta em Chicago, Silveira avalia que não há, no momento, um gatilho consistente para grandes movimentos de valorização no mercado interno. A expectativa é de que o primeiro semestre continue marcado por preços pressionados, diante das grandes safras na América do Sul e da oferta elevada no mercado global.

Nesse contexto, estratégias mais conservadoras ganham espaço. A comercialização da safra, combinada com aplicação dos recursos em investimentos de renda fixa, pode oferecer maior previsibilidade financeira em um ambiente de margens reduzidas e juros elevados. Já operações mais agressivas, apostando em fortes altas de câmbio ou de Bolsa, tendem a envolver riscos maiores.

Os produtores que anteciparam parte das vendas em momentos mais favoráveis estão em situação mais confortável. Ainda assim, a tendência é de que o ritmo de comercialização ganhe força com o avanço da colheita e a necessidade de caixa, normalizando gradualmente o fluxo de negócios ao longo do semestre. Até lá, o mercado deve seguir marcado por cautela, margens apertadas e decisões cada vez mais voltadas à gestão de risco e preservação financeira.

Por Canal Rural.

Tags: AgriculturaAgronegócioComercialização da sojaEconomiaSoja
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