A China informou nesta sexta-feira que irá liberar fertilizantes de suas reservas comerciais nacionais antes do início do plantio de primavera, em uma tentativa de garantir o abastecimento interno. A decisão ocorre em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e ao fechamento do Estreito de Hormuz, rota estratégica para o transporte de energia e insumos agrícolas, o que vem afetando o fornecimento global.
Segundo comunicado da Associação Chinesa de Meios de Produção Agrícola, as empresas responsáveis pelos estoques estratégicos foram orientadas a colocar parte das reservas no mercado para assegurar oferta adequada durante o pico da demanda agrícola e ajudar a estabilizar os preços.
A entidade informou que a liberação inclui fertilizantes nitrogenados, fosfatados e compostos, produtos essenciais para a produção agrícola. Tradicionalmente, a China libera esses estoques uma vez por ano antes do início da temporada de plantio da primavera.
De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, a decisão foi antecipada em pelo menos 15 dias em relação aos ciclos anteriores. Agricultores nas províncias de Henan e Shandong relataram nos últimos dias dificuldades para encontrar fertilizantes fosfatados no mercado local.
Impactos para o mercado global
A medida ocorre em um momento de crescente preocupação com o abastecimento global de fertilizantes. O fechamento do Estreito de Hormuz, decorrente da escalada do conflito no Oriente Médio, ameaça interromper rotas importantes para o comércio internacional de insumos agrícolas.
O estreito é uma das principais vias de transporte marítimo de energia e fertilizantes, conectando produtores do Oriente Médio a mercados da Ásia, Europa e América Latina.
Dependência brasileira
O movimento também é acompanhado com atenção pelo mercado agrícola brasileiro, que depende fortemente de fertilizantes importados. Em 2025, o Brasil importou 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes, volume recorde da série histórica, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A China tem ampliado sua participação nesse mercado e se tornou recentemente um dos principais fornecedores do insumo ao Brasil. Entre janeiro e outubro de 2025, o país asiático exportou cerca de 9,76 milhões de toneladas de fertilizantes para o Brasil, o equivalente a aproximadamente 25% das importações brasileiras no período, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).
Por Canal Rural.


















