O estado do Tocantins recebeu, na última terça-feira, 24, no municipio do Tabocão, o 1º Encontro de Agricultura Regenerativa Tropical, iniciativa que reuniu produtores rurais, especialistas e instituições públicas e privadas para discutir caminhos mais eficientes, sustentáveis e lucrativos para o agronegócio.
Realizado pelo grupo Ecoara, o evento teve como tema central os “Sistemas Integrados de Produção”, abordando estratégias que reduzem a dependência de insumos químicos e aumentam a resiliência das propriedades rurais.
Um novo modelo produtivo
O projeto apresentado propõe a diminuição do uso de adubos químicos e defensivos agrícolas por meio de práticas como manejo biológico de pragas e doenças, compostagem de esterco animal e uso de plantas de cobertura na entressafra para aumento da matéria orgânica do solo.
Esse sistema cria um ciclo produtivo integrado: resíduos da pecuária são transformados em adubo orgânico, utilizado na produção de grãos e pastagens, que posteriormente alimentam os animais. O modelo fortalece a chamada economia circular dentro da propriedade rural, promovendo ganhos ambientais e econômicos.
Além disso, a adoção dessas técnicas permite reduzir significativamente o custo de produção e aumentar o resultado operacional da atividade. Segundo dados apresentados durante o evento, sistemas regenerativos podem reduzir custos totais e elevar margens por hectare, tornando o negócio mais eficiente.
Mais autonomia e menos risco
Outro benefício destacado é a redução da dependência de insumos externos, especialmente em cenários de instabilidade global. A escassez de fertilizantes e defensivos agrícolas em períodos de crise, como conflitos internacionais, tem impactado diretamente o setor, o que reforça a importância de sistemas mais autossuficientes.
Com a produção própria de bioinsumos e compostos orgânicos, os produtores passam a ter maior controle sobre sua operação, além de diminuir a emissão de gases de efeito estufa e diversificar o sistema produtivo.

Crédito de carbono e novos arranjos
A transição para práticas regenerativas também abre portas para novas fontes de renda. Propriedades que adotam esse modelo podem se habilitar para a geração de créditos de carbono, criando uma receita adicional ao produtor rural.
Empresas como a MyCarbon participaram do encontro, apresentando oportunidades nesse mercado em expansão.
Disseminação do conhecimento
O evento contou com a presença de especialistas de instituições renomadas, como a Embrapa, além da Libertas, que trouxe experiências em manejo integrado em sistemas orgânicos.

Também participaram representantes do setor público e de instituições financeiras, incluindo o Comitê Gestor do Plano ABC+, por meio da SEAGRO e RURALTINS, além do Itaú BBA e Banco ABC.
Patrocinado pela BRANDT Brasil, o encontro reforçou a importância da colaboração entre diferentes agentes do agro para acelerar a transformação do setor.
Um movimento em construção
O grupo Ecoara já iniciou o processo de transição da agricultura convencional para o modelo regenerativo em suas áreas. Segundo João Vitor Bonilha, sócio do Grupo, o objetivo é ampliar o impacto da iniciativa. “Nosso intuito é disseminar essas práticas na região para que o agro se torne cada vez mais forte, maior e sustentável. Com esse trabalho, podemos transformar o Tocantins em uma referência ainda maior de produção que sequestra carbono e, Conquistar valorização adicional na venda de produtos junto a tradings e frigorifico”, afirma.
Mais do que um evento, o encontro marcou o início de um movimento regional em direção a um agro mais resiliente, rentável e alinhado às demandas ambientais do futuro.















