Nos últimos anos, a irrigação se tornou um ponto importante para transformar a produtividade do agronegócio brasileiro. Em entrevista, o Dr. Fernando Mendonça, professor da ESALQ-USP, afirmou que a adoção de sistemas de irrigação não é apenas uma alternativa para enfrentar a seca, mas o caminho definitivo para verticalizar a produção.
Para o especialista, a tecnologia permite que a produtividade por área seja de duas a quatro vezes superior ao sistema de sequeiro, consolidando a irrigação como uma ferramenta estratégica para a modernização das pastagens tropicais.
O salto na produtividade e o uso da terra
O dado mais impactante apresentado pelo Dr. Fernando revela a ineficiência do uso atual das terras no Brasil devido à baixa adoção tecnológica. Se todo o rebanho brasileiro fosse criado em sistemas irrigados, ele ocuparia menos de 20 milhões de hectares. Atualmente, a pecuária utiliza mais de 150 milhões de hectares.
O Brasil possui cerca de 8 milhões de hectares irrigados, mas o potencial de crescimento é de 55 milhões de hectares, sendo que 26 milhões destes estão em áreas de pastagens.
Atualmente, apenas cerca de 100 a 120 mil hectares de pastagens são irrigados no país, um número considerado “infinitamente insignificante” diante das oportunidades de ganho de produtividade.
A irrigação como seguro e ferramenta de manejo
Diferente do que muitos pensam, a irrigação atua como um seguro produtivo durante todo o ano, e não apenas nos meses sem chuva. A tecnologia protege a produção contra faltas de chuva repentinas durante o período das águas, mantendo o crescimento do capim constante.
Além disso, o pecuarista que irriga elimina a dependência da chuva para aplicar fertilizantes nitrogenados, como a ureia. A adubação ocorre no momento exato em que a planta precisa, maximizando o aproveitamento dos nutrientes.
Em sistemas intensivos irrigados, a capacidade de suporte pode saltar de 1 ou 2 UA/ha para até 12 a 15 UA/ha.
Sistemas pressurizados e viabilidade econômica
O Brasil é referência no uso de sistemas de alta eficiência, que garantem que a água chegue ao destino com o menor desperdício possível. O uso de pivô central para grandes áreas e o gotejamento subterrâneo (que leva água direto à raiz) são tendências fortes para 2026.
O Dr. Fernando ressalta que a irrigação é uma tecnologia de “meio para frente”. Primeiro, o produtor deve corrigir o solo e garantir genética de ponta (tanto de forragem quanto de rebanho) para que a planta e o animal consigam responder ao investimento.
O investimento costuma se pagar entre 2 e 6 anos. Em pequenas propriedades de leite, irrigar apenas 10% da área já é suficiente para transformar o resultado financeiro.
Com o cenário climático de 2026 exigindo cada vez mais resiliência, a irrigação oferece a estabilidade necessária para a produtividade de alta performance. Como resumiu o professor Mendonça, o Brasil possui terra e água em abundância, mas precisa converter esse potencial em infraestrutura e manejo para elevar o patamar da pecuária nacional.
Por Canal Rural.


















