Relatório do Sebrae aponta que crescimento do agronegócio exige produtores cada vez mais preparados para gerir custos, investir em tecnologia e agregar valor à produção
O agronegócio do Tocantins vive um dos momentos mais promissores de sua história. A safra 2025/2026 deve superar 9,6 milhões de toneladas de grãos, impulsionada principalmente pela soja, que deve alcançar 6,1 milhões de toneladas, crescimento de 14,2% em relação ao ciclo anterior.
Os números consolidam o Estado como uma das principais fronteiras agrícolas brasileiras, mas também evidenciam um novo desafio para o setor: formar produtores cada vez mais preparados para administrar seus negócios em um mercado competitivo e em constante transformação. A análise faz parte do relatório Tendências do Agronegócio no Tocantins – Panorama por Cadeia Produtiva e Análise Regional – Horizonte 2026–2031, elaborado pelo Sebrae Tocantins.
O estudo aponta que o Tocantins reúne uma combinação de fatores que impulsionam esse crescimento, como disponibilidade de terras, clima favorável, topografia propícia à mecanização e investimentos em infraestrutura logística, a exemplo da Ferrovia Norte-Sul e da Hidrovia Tocantins-Araguaia. Além da expansão da soja e do milho, culturas como o sorgo (+22,9%) e o feijão (+40,6%) registram os maiores avanços percentuais da safra, refletindo a diversificação da produção agrícola no Estado.
Para o analista do Sebrae Tocantins José Daniel Tavares, esse cenário reforça a transformação do perfil do agricultor, que hoje exerce um papel muito mais amplo do que apenas produzir.
“O agricultor é, acima de tudo, um empreendedor. Ele toma decisões diariamente, administra investimentos, acompanha o mercado, gerencia riscos e busca inovação para manter sua propriedade competitiva. O crescimento do agronegócio do Tocantins demonstra a capacidade desses produtores de transformar desafios em oportunidades e contribuir diretamente para a geração de emprego, renda e desenvolvimento regional”, destaca.
Segundo José Daniel, a profissionalização da atividade rural será determinante para que os produtores aproveitem as oportunidades criadas pela expansão do agronegócio.
“O futuro do agronegócio passa pela gestão eficiente da propriedade. Produzir bem continua sendo fundamental, mas administrar custos, investir em tecnologia, buscar capacitação e agregar valor à produção são fatores que tornam o agricultor mais preparado para aproveitar as oportunidades que surgem no mercado”, afirma.
O relatório também chama atenção para a necessidade de o Tocantins avançar na industrialização da produção agropecuária. Hoje, 99% das exportações do Estado estão ligadas ao agronegócio, mas boa parte desse volume ainda é comercializada na forma de commodities. Entre as estratégias apontadas estão o fortalecimento da agroindústria, o processamento de grãos, o beneficiamento de arroz, frutas e mel, além da ampliação das cadeias de carnes e lácteos, agregando valor à produção antes que ela deixe o Estado.
A expectativa é que, nos próximos cinco anos, a consolidação da Ferrovia Norte-Sul, o avanço da Hidrovia Tocantins-Araguaia e a ampliação das agroindústrias reforcem a posição do Tocantins como um dos principais polos logísticos e produtivos do agronegócio brasileiro. Nesse cenário, o sucesso das propriedades dependerá cada vez mais da capacidade de transformar produção em negócios sustentáveis e rentáveis.
Para o analista do Sebrae, esse é o caminho para que o crescimento do setor resulte em desenvolvimento econômico para todas as regiões do Estado.
“O Tocantins reúne condições para avançar não apenas em volume de produção, mas também na capacidade de transformar essa produção em novos negócios. Quando o agricultor agrega valor ao que produz, acessa novos mercados e fortalece sua atuação nas cadeias produtivas, os benefícios chegam à propriedade rural, movimentam a economia local e contribuem para o desenvolvimento de todo o Estado”, conclui.
Pecuária
O relatório também aponta os números do rebanho bovino tocantinense que ultrapassou 11 milhões de cabeças, registrando um avanço de 39,2% entre 2018 e 2024, o sexto maior crescimento do país.
Embora os indicadores apontem um cenário de crescimento, o relatório destaca que produzir mais já não é suficiente para garantir competitividade. O documento identifica como prioridades para os próximos anos o fortalecimento da gestão das propriedades, a adoção de tecnologias, a recuperação de pastagens degradadas, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), a capacitação dos produtores e a agregação de valor à produção dentro do próprio Estado.

















