Segunda safra alcançou cerca de 19 mil hectares entre cooperados; sorgo também avançou, enquanto milho registrou leve queda de produtividade
A reta final da segunda safra no Tocantins revela mudanças no perfil das lavouras cultivadas no período. Entre produtores ligados à Frísia Cooperativa Agroindustrial, o feijão-mungo-preto ampliou em 60% a área plantada e registrou aumento de 15% na produtividade em relação ao ciclo anterior. O sorgo também avançou, enquanto o milho apresentou uma pequena redução no rendimento.
Ao todo, aproximadamente 19 mil hectares foram destinados à segunda safra pelos cooperados da Frísia no Tocantins, maior extensão registrada pela cooperativa no Estado para esse período. Com a colheita praticamente encerrada, os resultados começam a orientar as decisões para o próximo ciclo.
“O resultado foi positivo, com destaque para o feijão-mungo-preto e o sorgo, que apresentaram os melhores desempenhos”, afirma o supervisor de Assistência Técnica da Frísia, Guilherme Barbosa.
O avanço ocorre em um momento de crescimento da produção tocantinense de grãos. O 11º Levantamento da Safra Brasileira de Grãos, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), estima 9,74 milhões de toneladas para o Tocantins na safra 2025/2026, volume 6,2% superior às 9,17 milhões de toneladas registradas no ciclo anterior.
Feijão e sorgo avançam; milho recua
Além do aumento de 60% na área destinada ao feijão-mungo-preto, a produtividade da cultura cresceu 15% na comparação anual. O sorgo também encerrou o período com expansão tanto da área cultivada quanto do rendimento das lavouras.
No milho, entretanto, o comportamento foi diferente. A cultura apresentou leve redução de produtividade frente à safra passada. Segundo Guilherme, o resultado foi influenciado principalmente pela ocorrência de chuvas intensas logo após as aplicações de nitrogenados.
Os resultados também refletem mudanças no manejo adotado nas propriedades. Ajustes técnicos realizados pela equipe da Frísia, em conjunto com pesquisas da Fundação ABC (FABC), foram aplicados durante o ciclo com foco no desempenho produtivo e econômico das lavouras.
“Grande parte do aumento de produtividade é resultado dos ajustes técnicos realizados pelo corpo técnico da Frísia em conjunto com a pesquisa da FABC, que permitiram alcançar melhores resultados de produtividade e rentabilidade”, explica Guilherme.
Próximo ciclo já entra no radar
Com a colheita perto do fim, o planejamento da próxima temporada já começou. Além dos custos de produção e das condições de mercado, o comportamento do clima está entre os fatores considerados na definição do manejo.
Diante da possibilidade de ocorrência do El Niño, a estratégia adotada para as áreas acompanhadas pela assistência técnica inclui a manutenção da cobertura de palhada, com o objetivo de aumentar a proteção do solo e reduzir impactos de eventuais períodos de estiagem.
“Diante da possibilidade de ocorrência do El Niño na próxima safra, a equipe técnica priorizou o manejo de todas as áreas com cobertura de palhada, buscando minimizar os possíveis danos causados por uma provável estiagem. No cenário econômico, a cooperativa ajustou as recomendações de manejo para entregar ao cooperado a melhor rentabilidade possível”, conclui Guilherme.
Os resultados da segunda safra passam agora a servir de referência para as decisões da próxima temporada, especialmente na escolha das culturas e nos ajustes de manejo diante das perspectivas climáticas e econômicas.


















