Encontro discutiu demandas de produtores e empresários e marcou a apresentação do Instituto GIIR Agro, criado para dar continuidade às pautas levantadas pelo setor
Uma safra positiva nem sempre significa uma empresa saudável. No agronegócio, resultado produtivo e equilíbrio empresarial podem seguir caminhos diferentes, principalmente quando dívidas, contratos, sucessão e decisões de gestão entram na conta. Com esses desafios no centro das discussões, o GIIR Agro realizou, nesta quinta-feira, 20, em Palmas, uma reunião estratégica voltada à identificação das principais demandas de produtores e empresários rurais.
O encontro reuniu produtores, empresários e especialistas de diferentes áreas para ouvir quem está à frente dos negócios rurais e identificar os principais problemas enfrentados pelo setor. A proposta foi partir dessas demandas para discutir soluções práticas, aproximar diferentes áreas de conhecimento e buscar respostas para dificuldades que afetam a continuidade e a competitividade das empresas.
A reunião também marcou uma nova etapa do projeto, com a apresentação do Instituto GIIR Agro, criado para manter essa articulação de forma permanente e transformar as demandas identificadas entre produtores e empresários em pautas de trabalho.
À frente da iniciativa está Jéssica Farias, advogada especialista em reestruturação de empresas, administradora judicial e fundadora do GIIR Agro. Para ela, compreender as dificuldades de quem produz é fundamental para que as soluções façam sentido dentro da realidade do campo.
“Queremos identificar as dores dos produtores, entender onde estão os principais gargalos e, a partir disso, buscar caminhos e soluções. Não se trata de presumir o que o produtor precisa, mas de ouvi-lo”, afirmou.
Para Jéssica, a complexidade da atividade também exige que o produtor enxergue a propriedade como uma empresa, sujeita a riscos financeiros, jurídicos e patrimoniais. “O futuro do agro não pertence a quem apenas produz. Pertence a quem enxerga antes, decide melhor e transforma visão em resultados”, acrescentou.
Instituto surge a partir das demandas dos encontros
A criação do instituto surgiu a partir das experiências das edições anteriores do GIIR Agro. Segundo Jéssica, as relações estabelecidas entre os participantes e as discussões levantadas nesses encontros mostraram a necessidade de uma atuação que não terminasse com a programação.
“As conexões precisavam continuar, as ideias precisavam avançar e as oportunidades precisavam encontrar caminhos. Percebemos que o conhecimento compartilhado ali precisava se transformar em ação”, explicou.
Crédito, custos de produção, endividamento, contratos, governança, inovação e sucessão estiveram entre os temas relacionados aos desafios da administração das empresas rurais. Em muitos casos, a demora para identificar uma dificuldade reduz as alternativas disponíveis e torna a recuperação do negócio mais complexa.
A experiência de Jéssica com reestruturação empresarial também orienta essa perspectiva. No meio rural, patrimônio, produção, relações familiares e compromissos financeiros costumam estar interligados.
“O agro é feito de pessoas que empreendem, investem, assumem riscos e tomam decisões todos os dias. Uma escolha feita no momento certo pode definir o resultado de uma safra e também a continuidade de um negócio construído durante anos”, destacou.
















