SIS lança ferramentas para avaliar riscos e oportunidades climáticas e socioambientais e orientar decisões de instituições financeiras
Sobrepesca, perda de biodiversidade, pressões sobre os recursos hídricos e impactos sobre comunidades e territórios estão entre os principais desafios socioambientais do setor de Pesca e Aquicultura. Para apoiar instituições financeiras, empresas e demais atores econômicos na avaliação desses e de outros riscos e oportunidades ambientais, climáticas e sociais associadas ao setor, a associação Soluções Inclusivas Sustentáveis (SIS) lançará, no dia 17 de setembro, o Questionário de Avaliação de Desempenho Climático e Socioambiental e de Cumprimento da Legislação Socioambiental voltado a essa atividade econômica.
A publicação integra uma série de instrumentos técnicos que vêm sendo desenvolvidos pela SIS para qualificar a incorporação de critérios ASG (Ambientais, Sociais e Governança) às decisões e estratégias relacionadas a diferentes setores da economia, de forma mais precisa. A metodologia reúne referências nacionais e globais no campo da sustentabilidade – como TNFD, GRI, SBTi, CBI, IFRS S1 e S2, IFC –, além de critérios das taxonomias sustentáveis do Brasil e de todos os países que contemplem tais setores, e indicadores propostos pela equipe técnica da SIS.
Na pesca, a análise abrange tanto a atividade industrial quanto a pesca artesanal. Também são mapeados indicadores para a aquicultura, que é a produção em cativeiro de organismos aquáticos (como peixes, crustáceos e plantas aquáticas).
Qualidade da água, biodiversidade e território
A produção brasileira de pescados chegou a 1,359 milhão de toneladas em 2024, segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), sendo mais da metade da produção proveniente da pesca artesanal. Apesar da relevância do setor, a sustentabilidade dos estoques permanece um desafio: segundo estudo da Oceana, 67% dos estoques marinhos cuja situação era conhecida estavam sobrepescados — ou seja, a captura supera a capacidade natural de reposição.
A sobrepesca compromete a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas, afetando a renda, a segurança alimentar e os meios de subsistência das comunidades pesqueiras. Outros riscos também abordados no questionário incluem a pesca ilegal, a baixa seletividade dos petrechos, os impactos sobre habitats e a captura acidental (bycatch), que resulta no descarte de espécies não alvo. Segundo a FAO, estima-se que a pesca marinha global gere 9,1 milhões de toneladas de descartes por ano.
Outro impacto da atividade é causado por redes e demais equipamentos de pesca abandonados ou perdidos, que podem continuar capturando e matando animais – fenômeno conhecido como “pesca fantasma” (ghost fishing). Os indicadores também incluem conflitos territoriais, mudanças climáticas, condições de trabalho, impactos sobre comunidades tradicionais, entre outros.
Na aquicultura, alguns riscos socioambientais se repetem, mas há algumas particularidades relacionadas principalmente à qualidade da água, gestão de efluentes, biodiversidade, doenças, uso de medicamentos e insumos, escapes de espécies cultivadas e dependência de recursos pesqueiros para produção de ração. A expansão do setor – que registrou produção de 724,9 mil toneladas de peixes e 146,8 mil toneladas de camarão em 2024 – reforça a importância de monitorar os possíveis impactos aos ecossistemas, ao clima e às comunidades locais.
Junto ao setor de Pesca e Aquicultura, também será lançado o questionário destinado a avaliar o desempenho climático e socioambiental do setor de Transportes Terrestres.
Bate-papo de lançamento
As ferramentas serão apresentadas durante o 19º BIS (Bate-papo Inclusivo e Sustentável), encontro online que reunirá especialistas para discutir desafios, oportunidades e caminhos para uma atuação mais sustentável nos dois setores. As inscrições podem ser realizadas gratuitamente pelo link.
O debate sobre Transportes Terrestres contará com Sofia Zanella Carra, Diretora de Transição Climática do Climate Finance Hub (CFH). Com mais de 15 anos de experiência em sustentabilidade, finanças e políticas climáticas no Brasil e na Alemanha, Sofia é engenheira ambiental, Doutora em Ciências Agrárias pela Universidade Humboldt de Berlim e pós-doutoranda na COPPE/UFRJ. No CFH, coordena avaliações do processo de transição climática corporativa e iniciativas de engajamento com a economia real.
Já a discussão sobre Pesca e Aquicultura terá a participação de Alan Gomez, Líder de Engajamento para América Latina e Caribe da TNFD (Taskforce on Nature-related Financial Disclosures). Com 20 anos de experiência em sustentabilidade e finanças, atuou na GFANZ, no Citi-Banamex e na Associação de Bancos do México. Foi o primeiro especialista latino-americano da TCFD global e liderou iniciativas pioneiras em finanças sustentáveis, como testes de estresse climático e crédito verde para PMEs. É engenheiro ambiental, com MBA em Sustentabilidade pela Universidade de Lüneburg, na Alemanha.
A apresentação dos novos questionários será conduzida por Luciane Moessa, Diretora Executiva e Técnica da SIS, responsável pela coordenação técnica da iniciativa.
Outros setores já contemplados e o que está por vir
Os novos questionários de Transportes Terrestres e Pesca e Aquicultura passam a integrar o rol de questionários da SIS, que já abrange os setores de destinação de resíduos, bioenergia, construção civil, saneamento, agricultura, pecuária, florestas, mineração e indústria.
O próximo e último questionário da série será dedicado ao setor de energia (eletricidade e combustíveis), abrangendo as matrizes solar, eólica, nuclear, hidrelétrica, oceânica, hidrogênio verde, petróleo e gás e carvão mineral.


















