Dezessete municípios mato-grossenses decretaram situação de emergência por conta da intensidade das chuvas registradas em janeiro e fevereiro. Cenário que vem dificultando a entrada de máquinas nas lavouras para a finalização da colheita da soja, que até a última sexta-feira (27) estava em 78,34%, e a semeadura do milho, em 81,93%.
Dados da Defesa Civil de Mato Grosso, apresentados em relatório técnico solicitado pela Comissão Permanente de Meio Ambiente e Sustentabilidade (COPMAS) do Tribunal de Contas (TCE-MT), apontam que em janeiro o estado registrou um acumulado de 277,72 milímetros de chuva e em fevereiro 204,83 milímetros (até a apresentação do relatório).
Os 17 municípios que decretaram emergência: Araputanga, Colíder, Cotriguaçu, Feliz Natal, General Carneiro, Guarantã do Norte, Juína, Marcelândia, Matupá, Nova Bandeirantes, Poxoréu, Primavera do Leste, Rondolândia, Rosário Oeste, Santa Carmem, Serra Nova Dourada e Vila Bela da Santíssima Trindade.
Ainda conforme o relatório, à nível estadual até a última semana apenas Cotriguaçu e Rosário Oeste haviam tido decretos homologados pelo Governo de Mato Grosso.
Excesso de chuvas atrasam trabalhos no campo
De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), apesar da colheita da soja 2025/26 estar à frente da média das últimas cinco safras de 70,98%, os trabalhos em relação ao ciclo anterior estão 3,96 pontos percentuais atrasados. Até o dia 27 de fevereiro nenhuma região havia concluído a retirada do grão das lavouras. As regiões sudeste (53,63%) e nordeste (58,77%) são as mais atrasadas.
Em Rondonópolis, o mês de fevereiro registrou a maior concentração de chuva entre os dois primeiros meses de 2026. Até o dia 26 de fevereiro, o município registrava 176,6 milímetros de chuva, contra 133 milímetros de janeiro. Somente na última semana, mais de 80 milímetros, conforme a Defesa Civil do município, foram registrados.
“A gente vinha numa cadência de colheita muito boa. Estamos praticamente há uma semana com as máquinas paradas em campo. A gente imagina que vamos ter uma perda de 5% a 10% nas médias [produtividade] devido a essas chuvas prolongadas”, relatou o produtor Osvaldo Pasqualotto em recente entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.
No município de Marcelândia, um dos que já decretaram situação de emergência, conforme o presidente do Sindicato Rural, Marcelo Cordeiro, o acumulado de chuva chegava a cerca de 2,3 mil milímetros, superando a média de 1,8 mil milímetros para o período produtivo. “Nós vivemos um ano atípico. Para fazer a colheita atola, para fazer o plantio do milho também atola, para o escoamento nas estradas não pavimentadas há muita dificuldade, então é um período com muita dificuldade para o produtor rural”, disse à reportagem recentemente.
Chuvas apertam ainda mais as margens
Segundo o Imea, em relação ao milho os trabalhos estão atrasados em comparação a safra 2024/25, que nesta época estava em 84,95%, e a média das últimas cinco safras de 86,29%.
Assim como na soja, a região sudeste é a mais atrasada com a semeadura do milho. Por lá apenas 57,34% do cereal foi cultivado até a última semana de fevereiro. Produtor na região de Itiquira, Gilmar Mattei, destacou ao Canal Rural que o setor está preocupado não somente com o relógio, mas também com “a questão dos custos”. “Os custos estão elevados”.
O milho, que é tido como uma “salvaguarda” da margem de lucro do produtor, diante das circunstâncias pode registrar queda de área, como salienta o produtor na região de Guiratinga, Valdir Martini. “Não tem como escapar disso. O clima é uma incógnita. Está difícil, está muito complicado esse ano”.
Por Canal Rural.















