Interdição altera logística e amplia preocupação no Médio Norte
A interdição total da ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235/TO, entre Pedro Afonso e Tupirama, realizada na última quarta-feira, 20 de maio, pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), acendeu um alerta entre produtores rurais, transportadores e moradores da região.
Segundo o DNIT, a decisão foi tomada de forma preventiva após vistoria técnica identificar manifestações estruturais que exigem avaliação aprofundada. O órgão informou que ainda realiza estudos e inspeções para definir as causas e as medidas necessárias para recuperação da estrutura.
Como alternativa, o DNIT definiu um novo trajeto para circulação entre os municípios: seguir pela BR-153 até Guaraí, acessar a TO-239 em direção a Tupiratins, realizar a travessia por balsa até Itaperatins, seguir pela TO-239 passando por Itacajá, continuar pela BR-010 até Santa Maria do Tocantins e acessar a TO-010 no sentido de Pedro Afonso. O órgão também informou que estuda ampliar a operação de balsas para reduzir os impactos.
(Foto: DNIT).
Mobilidade e serviços essenciais já sentem reflexos
Os efeitos da interdição já começam a aparecer na rotina da população. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram pacientes sendo transportados em pequenas embarcações improvisadas para cruzar o Rio Tocantins.
Diante da situação, o governador Wanderlei Barbosa determinou medidas emergenciais para apoiar a região, entre elas a mobilização de embarcações e manutenção das rotas alternativas.
Segundo o Governo do Estado, equipes da Ageto já iniciaram trabalhos nas estradas utilizadas como desvio para evitar o isolamento de moradores de Pedro Afonso, Tupirama, Bom Jesus do Tocantins e municípios vizinhos.
Agro teme aumento de custos e atraso na próxima safra
Para o setor produtivo, a principal preocupação está nos impactos sobre logística, abastecimento e competitividade.
Simone Sandri, Presidente do Sindicato Rural de Pedro Afonso
A presidente do Sindicato Rural de Pedro Afonso, Simone Sandri, afirma que os efeitos já atingem produtores, trabalhadores e empresas que dependem da travessia.
“A interdição da ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, que liga os municípios de Tupirama e Pedro Afonso, representa um duro golpe para toda a região. Os prejuízos já começam a ser sentidos diretamente pela população, pelos produtores rurais, transportadores, comerciantes e trabalhadores que dependem diariamente dessa ligação. O desvio imposto aumenta significativamente as distâncias, eleva os custos logísticos, atrasa o transporte de insumos e o escoamento da produção agrícola, além de comprometer o abastecimento e a mobilidade regional”, afirma.
Ela também destaca que a estrutura é estratégica para o agronegócio regional.
“A ponte é considerada estratégica para o agronegócio tocantinense, especialmente para o escoamento de grãos, transporte de defensivos, fertilizantes, máquinas agrícolas e circulação de trabalhadores do setor produtivo. Sua paralisação afeta diretamente a economia regional e coloca em risco a competitividade do agro no Médio Norte do Tocantins”, completa.
FAET e entidades rurais pedem resposta rápida
Em nota, o Sistema FAET/SENAR e o Sindicato Rural de Pedro Afonso afirmaram que compreendem a necessidade da interdição por segurança, mas alertam para os impactos em um período importante para o escoamento da safra.
Segundo as entidades, mais de 100 carretas utilizam diariamente a travessia para transporte de grãos, insumos e mercadorias. A FAET informou ainda que acionou a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para acompanhar o caso e buscar medidas emergenciais junto ao Governo Federal.
COAPA alerta para exportação e aumento do frete
Com sede em Pedro Afonso e atuação em 21 municípios, a COAPA avalia que o bloqueio afeta diretamente a competitividade da produção regional.
Presidente da Coapa, Ricardo Khouri.
Para o presidente da cooperativa, Ricardo Khouri, existe preocupação imediata com os grãos armazenados na margem direita do Rio Tocantins que ainda precisam seguir até Palmeirante para embarque ferroviário com destino à exportação.
“Essas empresas que compram nossa produção trabalham com uma cadeia logística muito bem dimensionada e, diante de um gargalo tão sério como esse, existe o risco de renegociação e desvalorização do produto produzido aqui na região, porque aumenta o custo para ele chegar ao mercado consumidor”, afirma.
Khouri também alerta para impactos na próxima safra.
“Dificulta a chegada dos insumos para a próxima safra de verão. Fertilizantes, sementes e produtos químicos dependem dessa logística. O que a gente espera é que sejam colocadas balsas capazes de transportar grandes caminhões o mais rápido possível”, destaca.
Segundo a estimativa da cooperativa, o novo trajeto adiciona cerca de 120 a 130 quilômetros ao percurso e pode elevar o custo logístico entre R$ 8 e R$ 10 por tonelada transportada.















