O setor agropecuário teve o maior número de empresas envolvidas em processos de recuperação judicial em 2025, conforme informações divulgadas pela Serasa Experian nesta terça-feira (7).
Ao todo, a concentração de CNPJs ligados ao segmento foi de 30,1% (743). Com isso, companhias ligadas ao campo ultrapassaram os prestadores de serviços, que eram maioria em 2024 e, agora, fecharam com 30% de participação (739).

A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, contextualiza a atual liderança do agro no ranking do endividamento. “A agropecuária opera sob um conjunto de riscos climáticos e biológicos como, estiagens, excesso de chuva, geadas, pragas e doenças. A isso se somam choques de preços de commodities, insumos dolarizados, como fertilizantes e defensivos, exposição cambial e um ciclo financeiro mais longo de safra-entressafra, que amplifica a volatilidade de receita e caixa”, diz, em nota.
De acordo ela, em cenários adversos, tais fatores comprimem margens e capacidade de pagamento ao longo de toda a cadeia, do produtor à armazenagem, logística, agroindústria e tradings, elevando a necessidade de renegociação de passivos e tornando a recuperação judicial um instrumento para preservar operação e emprego.
Entre os setores que mais entraram com pedidos de recuperação judicial, o comércio (21,7%; 535 CNPJs) aparece em terceiro, seguido pela indústria (18,2%; 449 CNPJs).
De acordo com a Serasa Experian, a distribuição desses pedidos reflete desafios distintos enfrentados pelos setores da economia, influenciados por fatores como custo de crédito, dinâmica de demanda e estrutura de endividamento das empresas.
O indicador de falências e recuperações judiciais é elaborado a partir do levantamento mensal do número de processos e de CNPJs envolvidos em pedidos de falência e de recuperação judicial registrados na base de dados da Serasa Experian.
Crise no setor
De acordo com Guilherme Marques, sócio do escritório Araúz Advogados, o aumento nos pedidos de recuperação judicial no agronegócio reflete um quadro de deterioração financeira e crise de liquidez no setor. “A elevação dos pedidos decorre, em grande medida, do aumento do custo financeiro nos últimos tempos, em um contexto de juros elevados e menor oferta de crédito, que pressionou os produtores altamente alavancados”, analisa.
Além disso, segundo o especialista, o encarecimento dos insumos agrícolas e a queda dos preços das commodities comprimiram as margens, enquanto eventos climáticos adversos afetaram a produtividade e a capacidade de pagamento.
Por Canal Rural.


















