As tensões entre Estados Unidos e Irã seguem trazendo impactos diretos para a economia global e para o agronegócio brasileiro, principalmente por meio do mercado de petróleo e da volatilidade cambial.
Para o presidente da Faesp/Senar-SP, Tirso Meireles, o principal efeito imediato está no custo da energia e da logística. Segundo ele, a elevação do petróleo encarece o diesel, o frete e o transporte de mercadorias, além de pressionar outros insumos ligados à cadeia produtiva
“O problema estrutural do petróleo vai trazer impactos relevantes, não só no combustível, mas também em lubrificantes e no custo logístico. Isso aumenta fretes, seguros e o custo final das exportações”, afirmou.
Meireles também destacou que a instabilidade no Oriente Médio tende a gerar efeitos prolongados. Mesmo com um eventual arrefecimento do conflito, os reflexos podem se estender por até dois anos na economia global.
Diante desse cenário, ele defende o avanço de políticas energéticas no Brasil, como o aumento da mistura de biodiesel. Segundo o executivo, ampliar a participação de biocombustíveis pode reduzir a dependência externa e mitigar impactos de crises internacionais.
Já Miguel Daoud, comentarista do Canal Rural, aponta que o cenário também tem influenciado o mercado financeiro. A desvalorização global do dólar e a valorização do real ajudam a explicar o atual comportamento da moeda brasileira, com reflexos diretos sobre o agronegócio.
Com o real mais forte, há tendência de pressão sobre as cotações de commodities como a soja, o que pode reduzir a competitividade das exportações brasileiras.
Por outro lado, Daoud destaca que o Brasil tem sido beneficiado pelas exportações de petróleo, que contribuíram para o superávit recente da balança comercial. Ainda assim, ele avalia que os preços do petróleo devem permanecer elevados, especialmente se houver agravamento do conflito no Oriente Médio.
“O petróleo deve continuar em patamares elevados. Se a guerra se intensificar, os preços podem subir ainda mais, devido à redução da oferta global”, afirmou.
Daoud também chama atenção para mudanças estruturais no mercado internacional, como a possível redução da demanda chinesa por soja nos próximos anos. Nesse contexto, ele defende o aumento do processamento interno da oleaginosa e a ampliação da produção de biodiesel como alternativa para agregar valor à produção brasileira.
A combinação entre custos mais altos, mudanças no câmbio e transformações na demanda global reforça um cenário de incerteza para o agro. Daoud e Meireles avaliam que o momento exige estratégias voltadas à redução de dependências externas e ao fortalecimento da produção interna de energia e insumos.
Por Canal Rural.















