Sistema que monitora origem e movimentação dos animais ganha força diante das exigências sanitárias, ambientais e comerciais do mercado internacional
A rastreabilidade bovina tem ganhado espaço no debate sobre o futuro da pecuária brasileira diante das novas exigências do mercado internacional por maior controle da origem da produção. O sistema, que permite acompanhar o animal desde o nascimento até o abate, passou a ser visto como ferramenta estratégica para garantir transparência, segurança sanitária e acesso a mercados mais exigentes.

Analista de mercado da Scot Consultoria, Stéfany Souza. (Foto: Bela Magrela)
Segundo a analista de mercado da Scot Consultoria, Stéfany Souza, a rastreabilidade funciona como um acompanhamento individual dos animais ao longo de toda a vida produtiva. “Cada animal recebe uma identificação única, por meio de brinco, chip ou tatuagem, reunindo informações como origem, sanidade, alimentação e movimentações ao longo da vida produtiva”, explica.
Na prática, o sistema registra informações como vacinações, alimentação, ganho de peso, tratamentos sanitários e movimentações entre propriedades. Os dados ficam armazenados em plataformas digitais e acompanham o animal até a etapa de comercialização da carne.
O avanço das exigências ambientais internacionais tem sido um dos principais fatores para o fortalecimento da rastreabilidade no setor pecuário. Conforme destaca a especialista, países e blocos econômicos passaram a exigir comprovação de origem de produtos livres de desmatamento, aumentando a pressão por mecanismos de controle dentro da cadeia produtiva.
“A capacidade de comprovar a origem dos animais e monitorar sua movimentação tornou-se um dos principais drivers da pauta da rastreabilidade no Brasil”, afirma analista.
Tocantins realiza a primeira brincagem simbólica de rastreabilidade na Agrotins 2026. (Foto: Majuh Souza/Governo do Tocantins).
No Tocantins, o avanço da rastreabilidade bovina também já começou a ganhar espaço dentro das políticas públicas do setor. Durante a Agrotins 2026, o Governo do Estado realizou a primeira brincagem simbólica de identificação individual de um bovino, marcando o início da implantação da rastreabilidade individual do rebanho tocantinense.
A iniciativa integra o programa Rastreia Tocantins, criado por decreto estadual e alinhado ao Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB). Com um rebanho estimado em 11,7 milhões de animais e cerca de 70 mil propriedades rurais, o estado busca fortalecer o controle sanitário, ampliar a transparência da cadeia produtiva e abrir novos mercados para a pecuária tocantinense.

(Foto: Majuh Souza/Governo do Tocantins).
Além da questão ambiental, a rastreabilidade também contribui para a gestão das propriedades rurais. O monitoramento individual permite maior controle sobre desempenho, histórico sanitário e produtividade do rebanho, auxiliando na tomada de decisão dentro das fazendas.
Na comercialização, o sistema também passou a ser associado à valorização da carne brasileira e à abertura de novos mercados. “Ao comprovar origem e qualidade, o produtor ganha mais poder de negociação, fortalece a confiança com compradores e aumenta sua competitividade no mercado”, ressalta.
O governo federal também já iniciou medidas para ampliar o controle do rebanho nacional. O Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, prevê a implementação gradual da identificação individual dos animais no Brasil até 2032.
Apesar do avanço do tema, desafios como custos iniciais, necessidade de capacitação e adaptação das propriedades ainda limitam a adesão em parte do setor. Mesmo assim, a expectativa é de que a rastreabilidade se torne cada vez mais presente na pecuária brasileira.
“A tendência é de maior digitalização, redução de custos tecnológicos e aumento da pressão por transparência. A rastreabilidade tende a deixar de ser diferencial para se tornar padrão”, conclui Stéfany Souza.















