Segundo o secretário, o desempenho reflete a estratégia de fortalecimento do agronegócio estadual.
O Tocantins deve registrar o maior crescimento econômico do país em 2026, segundo projeção do banco Santander. A estimativa aponta expansão de 3,85% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, desempenho superior ao de todas as demais unidades da federação analisadas, e mais que o dobro da média nacional prevista para o período.
O resultado coloca o estado à frente de economias tradicionalmente mais robustas. Enquanto o Tocantins lidera o ranking, São Paulo deve crescer 1,80%, Minas Gerais 1,79% e Espírito Santo 2,10%, refletindo um cenário de desaceleração nas regiões Sul e Sudeste.
Em entrevista ao Correio, o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária do Tocantins, Fred Sodré, o desempenho é resultado de uma estratégia de fortalecimento da principal vocação econômica do estado: o agronegócio. “O estado vem crescendo principalmente em três cadeias produtivas, que são soja, milho e carne, nossos principais produtos de exportação. Temos trabalhado para potencializar ainda mais essas atividades”, afirma.
Segundo o secretário, além da expansão da produção, o Tocantins reúne fatores estruturais que favorecem o crescimento do setor. Entre eles estão a localização estratégica no centro do país, a disponibilidade de terras para expansão agrícola, a presença da Ferrovia Norte-Sul, o potencial da Hidrovia Tocantins e condições climáticas favoráveis.
Outro diferencial apontado por Sodré é o aumento da produtividade no campo. “O principal fator que tem alavancado o Tocantins é a alta produtividade. Conseguimos produzir muito mais por hectare, resultado da adoção de tecnologia e do desenvolvimento de sistemas produtivos adaptados às condições locais”, destaca.
A expectativa é de uma safra recorde em 2025/2026, próxima de 11 milhões de toneladas de grãos, sendo mais de 6 milhões de toneladas apenas de soja. De acordo com o levantamento, o principal motor da economia tocantinense é a expansão da fronteira agrícola no Matopiba, região formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
O avanço da produção agropecuária, os investimentos privados no campo e os ganhos de eficiência logística proporcionados pela Ferrovia Norte-Sul sustentam o desempenho do estado mesmo em um ambiente macroeconômico de menor crescimento.
Segundo o economista Henrique Danyi, do Santander, um dos autores do estudo, a expansão da fronteira agrícola tem permitido que estados como Tocantins e Roraima mantenham ritmo elevado de crescimento, mesmo diante da desaceleração econômica observada em outras regiões do país.
Mudança do eixo econômico
Na avaliação do secretário, os números refletem uma mudança gradual na geografia econômica do país. Enquanto estados tradicionalmente líderes do agronegócio enfrentam limitações para ampliar áreas de produção, o Tocantins ainda possui espaço para expansão e ganhos de produtividade.
“Os estados mais tradicionais já consolidaram praticamente toda a sua área produtiva. O Tocantins ainda tem novas áreas para desenvolver e, nas áreas já abertas, seguimos aumentando a produtividade com tecnologia e melhoria dos solos”, explica.
Segundo ele, esse cenário também tem atraído produtores e investidores de estados como São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, interessados em expandir suas atividades para novas fronteiras agrícolas.
Além das condições naturais, o secretário atribui esse movimento à oferta de incentivos fiscais, segurança jurídica e políticas voltadas à desburocratização dos processos ambientais.
Norte deve manter liderança
O avanço do Tocantins também contribui para elevar as perspectivas da Região Norte. Segundo o Santander, o bloco deverá crescer, em média, 3% em 2026, o melhor desempenho entre as cinco regiões brasileiras.
Depois do Tocantins, aparecem no ranking Roraima (3,62%), Amazonas (3,04%), Amapá (2,96%) e Mato Grosso (2,92%). As projeções também indicam continuidade desse movimento nos próximos anos. Para 2027, a expectativa é de crescimento de 2,4% para a Região Norte, mantendo desempenho acima da média nacional.
Apesar do protagonismo do agronegócio, Fred Sodré afirma que o avanço econômico depende da combinação entre produção, infraestrutura e sustentabilidade. “O Tocantins tem mostrado que é possível produzir mais na mesma área, utilizando tecnologia e preservando o meio ambiente. Esse modelo de desenvolvimento sustentável é um dos principais diferenciais do estado”, afirma.
Segundo o secretário, investimentos contínuos em infraestrutura logística e diálogo permanente entre governo, produtores e entidades do setor têm contribuído para consolidar o Tocantins como uma das principais fronteiras de crescimento econômico do Brasil.
Por Fernanda Strickland/Correio Braziliense.















