Painel reuniu executivos da John Deere, Corteva, Kepler Weber, DATAGRO e XP para discutir como inovação, inteligência artificial e integração entre empresas devem transformar o agronegócio brasileiro nos próximos anos
O futuro do agronegócio brasileiro será construído por empresas capazes de conectar tecnologia, inteligência artificial, dados, relacionamento e mercado financeiro. Essa foi a principal conclusão do painel “Ecossistemas de Valor: quem está construindo o agro da próxima década?”, realizado neste sábado (25), durante a Expert XP, em São Paulo. O debate reuniu lideranças da John Deere, Corteva, Kepler Weber, DATAGRO e XP Agro para discutir os caminhos que devem impulsionar a próxima fase de crescimento do setor.
Mediado por Fátima Martins, sócia e Head Comercial da XP Agro, o painel destacou que o agronegócio deixa de ser definido apenas por ativos físicos, como terra e máquinas, para ser cada vez mais orientado por informação, conectividade e capacidade de tomada de decisão.
“Pela primeira vez, em 16 anos da Expert, temos uma Arena Agro e um painel dedicado ao setor. É um marco que mostra que o mercado financeiro e o agronegócio precisam caminhar juntos. Só assim vamos levar o nosso agro para o mundo da forma como ele realmente é”, afirma Fátima.
Para Rodrigo Bonato, vice-presidente de Vendas e Marketing da John Deere, o Brasil precisa tratar o agronegócio como uma política de Estado, com planejamento de longo prazo, e não apenas por meio de programas anuais de financiamento.
“O agro representa cerca de 25% do PIB brasileiro e responde por aproximadamente metade das exportações do país. Precisamos de uma visão estratégica de longo prazo para que o setor continue gerando desenvolvimento para o Brasil”, afirmou.
Bonato também destacou que a próxima grande revolução da agricultura passa pelo uso inteligente dos dados. Segundo ele, a John Deere possui atualmente mais de um milhão de máquinas conectadas em operação no mundo, monitorando cerca de 200 milhões de hectares em tempo real.
“Máquinas são apenas parte do ecossistema. O grande diferencial está na capacidade de transformar esses dados em decisões mais eficientes para toda a cadeia produtiva”, explicou.
Brasil ganha protagonismo global
Durante o debate, Guilherme Nastari, diretor da DATAGRO, afirmou que o reconhecimento internacional do agronegócio brasileiro cresce rapidamente e que o país reúne condições únicas para liderar a produção mundial de alimentos e energia renovável.
Segundo ele, o Brasil conseguiu aumentar sua produção preservando grande parte da vegetação nativa, tornando-se referência mundial em eficiência agrícola.
“O mundo está cada vez mais interessado no agro brasileiro. Produzimos comida e energia em escala, com competitividade e preservação ambiental. Estamos apenas no começo dessa nova fase”, afirmou.
Nastari também defendeu que o setor precisa comunicar melhor sua importância para a sociedade e para o mercado financeiro.
“Durante muitos anos falamos apenas para quem já conhecia o agro. Hoje precisamos furar essa bolha e mostrar ao mercado financeiro, aos investidores e ao público urbano o tamanho da oportunidade que o agronegócio representa.”
Dados e inteligência artificial aceleram transformação
Para Renato Arroyo, CFO e diretor de Relações com Investidores da Kepler Weber, a inteligência artificial e o uso estratégico dos dados serão determinantes para aumentar a competitividade do setor.
Segundo ele, estruturas tradicionais como silos e sistemas de armazenagem passam a desempenhar um novo papel, tornando-se grandes geradores de informações para apoiar a tomada de decisão.
“A empresa que conseguir transformar dados em inteligência será aquela que tomará as melhores decisões. Estamos investindo fortemente em automação, inteligência artificial e gestão integrada para oferecer mais eficiência ao produtor”, afirmou.
Arroyo acrescentou que a industrialização do agro e o avanço da bioenergia também devem impulsionar novos investimentos na próxima década.
MATOPIBA ganha destaque como nova fronteira estratégica do agro
Ao destacar a importância de aproximar o agronegócio do mercado financeiro, Fátima Martins ressaltou que iniciativas como a Arena Agro também ajudam a dar visibilidade a regiões que lideram a expansão da produção brasileira, como o MATOPIBA, formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, onde a XP Agro mantém forte atuação junto aos produtores rurais.
“Precisamos vender o nosso agro verdadeiramente. Mostrar como ele realmente é na ponta. Esse ecossistema precisa falar mais sobre o agro brasileiro e mostrar a realidade dos nossos produtores”, ressaltou a Head do Agro.
A região também foi citada por Rodrigo Bonato como exemplo da transformação promovida pelo agronegócio nas últimas décadas. Segundo o executivo da John Deere, a evolução da agricultura tropical, impulsionada por pesquisa, inovação e tecnologia, consolidou áreas como o MATOPIBA entre as principais fronteiras agrícolas do mundo e demonstra o potencial do Brasil para continuar ampliando sua produção de forma sustentável.
Relacionamento continuará sendo diferencial competitivo
Apesar do avanço da inteligência artificial, Felipe Daltro, diretor de Marketing da Corteva para Brasil e Paraguai, acredita que nenhuma tecnologia substituirá o relacionamento construído diretamente com os produtores rurais.
Segundo ele, a inovação precisa caminhar ao lado da confiança desenvolvida ao longo dos anos entre empresas e agricultores.
“O relacionamento continuará sendo um dos principais ativos do agronegócio. A inteligência artificial pode acelerar processos, mas nunca substituirá o conhecimento adquirido no campo e a proximidade com o produtor.”
Daltro destacou ainda que o profissional do futuro precisará combinar domínio tecnológico com capacidade de interpretar as necessidades do cliente e construir soluções integradas.
Mercado financeiro amplia conexão com o campo
Ao longo do painel, os participantes ressaltaram que a aproximação entre o agronegócio e o mercado financeiro tende a se intensificar nos próximos anos, ampliando as alternativas de financiamento, investimentos e desenvolvimento tecnológico.
Ao encerrar o debate, Rodrigo Bonato resumiu o protagonismo do agronegócio brasileiro.
“Não será o Brasil que definirá o tamanho do agro. Será o agro que definirá o tamanho do Brasil.”















