Terceiro entrevistado da série do Tocantins Rural, candidato aborda logística, agroindustrialização, meio ambiente, crédito, agricultura familiar e tecnologia no campo
O Tocantins Rural dá continuidade à série de entrevistas com candidatos ao Governo do Estado para apresentar suas propostas para o agronegócio nas eleições de 2026. O portal procurou os cinco candidatos mais bem posicionados no cenário estimulado da pesquisa Real Time Big Data divulgada em 26 de agosto e encaminhou a todos as mesmas dez perguntas.
O levantamento, realizado pelo instituto Real Time Big Data com 1.600 entrevistados entre 21 e 25 de agosto e divulgado pela Gazeta do Povo, aponta Professora Dorinha (União Brasil) com 33% e Vicentinho Júnior (PSDB) com 30%, tecnicamente empatados. Na sequência estão Laurez Moreira (PSD), com 11%; Ataídes Oliveira (Novo), com 7%; e Professor Witer Naves (PSOL), com 4%. A ordem da série considera os percentuais registrados no levantamento.
Terceiro entrevistado, Laurez Moreira apresenta propostas para dez temas relacionados ao setor produtivo. Entre os principais pontos estão a criação de um plano estadual de infraestrutura para o agronegócio, atração de agroindústrias, redução do passivo de processos ambientais, ampliação da armazenagem e fortalecimento da agricultura familiar.
As respostas foram editadas para reduzir a extensão, preservando as posições, propostas e compromissos apresentados pelo candidato.
Quais são as prioridades para infraestrutura e escoamento?
Laurez Moreira: “O maior custo do produtor tocantinense hoje não está apenas dentro da porteira. Está na logística.
Nos últimos anos vimos situações que demonstram isso claramente. A interdição da ponte da BR-235 entre Pedro Afonso e Tupirama mostrou como uma única estrutura pode comprometer todo um corredor logístico do Matopiba, aumentando custos, atrasando o transporte de insumos e prejudicando o escoamento da safra.
Minha prioridade será implantar um Plano Estadual de Infraestrutura para o Agronegócio, baseado em três eixos. Primeiro, recuperar e manter permanentemente as rodovias estaduais que ligam as regiões produtoras aos principais corredores de exportação.
Segundo, criar um programa permanente de recuperação e monitoramento das pontes estaduais. Terceiro, integrar melhor a produção à Ferrovia Norte-Sul, aos terminais intermodais e aos corredores federais, atuando junto ao Governo Federal para acelerar investimentos na BR-153, BR-235, BR-242 e demais obras de interesse do Tocantins.
Nos primeiros cem dias de governo faremos um diagnóstico técnico dos corredores logísticos e publicaremos um cronograma anual de obras com prioridades definidas.”
Como ampliar a industrialização da produção agropecuária?
Laurez Moreira: “O Tocantins já é um dos grandes produtores brasileiros de soja, milho e carne. Agora precisamos transformar essa produção em riqueza dentro do próprio Estado.
Nossa prioridade será atrair investimentos para esmagamento de soja, produção de farelo e óleo, frigoríficos, etanol de milho, biodiesel, nutrição animal e agroindústrias ligadas à agricultura familiar.
Faremos isso oferecendo segurança jurídica, licenciamento eficiente, infraestrutura adequada e uma política de incentivos vinculada à geração de emprego, agregação de valor e desenvolvimento regional.
O Estado não deve disputar empresas oferecendo apenas incentivos fiscais. Deve oferecer competitividade.”
Como agilizar CAR e licenciamento ambiental?
Laurez Moreira: “Hoje o CAR já é eletrônico. O problema apontado pelo setor não está no cadastro, mas na análise, validação e conclusão dos processos.
Meu compromisso será reduzir o passivo existente no Naturatins, fortalecer as equipes técnicas, estabelecer metas de desempenho e dar previsibilidade aos produtores.
Também vamos integrar bases de dados estaduais para reduzir retrabalho e simplificar procedimentos quando a legislação permitir.
Quem produz dentro da lei precisa ter segurança jurídica, e segurança jurídica também significa prazo para receber uma resposta.”
Qual sua posição sobre REDD+, carbono e serviços ambientais?
Laurez Moreira: “O mercado de carbono representa uma oportunidade econômica importante para o Tocantins. Mas esse processo precisa colocar o produtor rural como protagonista.
Defendo regras claras, participação das entidades representativas do setor e mecanismos que garantam que pequenos, médios e grandes produtores possam acessar esse mercado.
Quem preserva precisa ser reconhecido e também remunerado. O Estado deve atuar como facilitador, oferecendo assistência técnica, capacitação e segurança jurídica para ampliar a participação dos produtores nesses programas.”
Pretende rever impostos, taxas ou incentivos para o agro?
Laurez Moreira: “O Tocantins precisa ser competitivo. Não faz sentido perder investimentos para estados vizinhos por excesso de burocracia ou custos desnecessários.
Vamos revisar taxas e procedimentos administrativos que impactam a atividade produtiva e manter diálogo permanente com o setor para avaliar incentivos que estimulem industrialização, armazenagem, inovação e geração de empregos.
Tudo isso será feito com responsabilidade fiscal e previsibilidade.”
Como ampliar o acesso ao crédito rural?
Laurez Moreira: “A maior parte do crédito rural é federal. Mas o Estado pode ajudar muito.
Vamos ampliar parcerias com Banco da Amazônia, Banco do Brasil, cooperativas de crédito e instituições financeiras para facilitar o acesso dos produtores às linhas existentes.
Também queremos fortalecer fundos garantidores estaduais, ampliar assistência técnica para elaboração de projetos e estimular mecanismos de garantia que reduzam o risco para pequenos e médios produtores.”
Quais são as propostas para a agricultura familiar?
Laurez Moreira: “A agricultura familiar tem papel fundamental na segurança alimentar e na economia dos municípios.
Nosso governo fortalecerá o Ruraltins para ampliar assistência técnica, estimular cooperativas, mecanização compartilhada, agroindustrialização e acesso às compras públicas.
Também vamos ampliar oportunidades para que esses produtores possam vender mais para supermercados, restaurantes e demais mercados privados.
Queremos que a agricultura familiar deixe de depender apenas de programas públicos e conquiste novos mercados.”
Como enfrentar os gargalos de armazenagem e irrigação?
Laurez Moreira: “O crescimento da produção precisa ser acompanhado por investimentos em armazenagem e infraestrutura.
Vamos estimular parcerias com cooperativas, tradings e iniciativa privada para ampliar a capacidade de armazenagem nas regiões produtoras.
Também apoiaremos projetos de irrigação sustentável, eletrificação rural e melhoria dos acessos às propriedades.
Quanto maior a capacidade de armazenagem, maior o poder de negociação do produtor e menores as perdas.”
Como ampliar tecnologia, conectividade e inovação no campo?
Laurez Moreira: “O agro será cada vez mais tecnológico. Vamos ampliar a conectividade rural, fortalecer o Ruraltins, aproximar universidades, IFTO, UFT, Embrapa e setor produtivo, estimular inovação e qualificação profissional.
Nosso objetivo é preparar o Tocantins para agricultura de precisão, inteligência artificial, rastreabilidade, bioeconomia e novas tecnologias que aumentem produtividade e sustentabilidade.”
Qual será a principal meta para o agro ao final de quatro anos?
Laurez Moreira: “Minha meta é fazer do Tocantins o estado mais competitivo do Matopiba.
Quero entregar um Estado com melhor infraestrutura, mais agroindústrias, maior segurança jurídica, menor tempo de resposta dos órgãos públicos, maior capacidade de armazenagem, mais tecnologia no campo e mais geração de empregos.
O produtor poderá medir nosso governo por resultados concretos: estradas recuperadas, processos ambientais mais rápidos, novos investimentos privados, aumento da industrialização da produção e crescimento da renda no campo.”
Quem é Laurez Moreira
Natural de Dueré, Laurez da Rocha Moreira nasceu em 3 de julho de 1957. Advogado, é formado em Direito e possui pós-graduação em Política e Estratégia Nacionais.
A trajetória política começou como vereador de Dueré, entre 1983 e 1988, período em que também presidiu a Câmara Municipal. Posteriormente, exerceu três mandatos como deputado estadual, entre 1995 e 2007, e comandou a Secretaria Estadual de Indústria, Comércio e Turismo entre 1995 e 1996.
Na esfera federal, exerceu dois mandatos como deputado federal, entre 2007 e 2012. Em 2013, assumiu a Prefeitura de Gurupi, onde permaneceu por dois mandatos consecutivos, até 2020.
Em 2022, foi eleito vice-governador do Tocantins. Em setembro de 2025, assumiu interinamente o Governo do Estado após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que afastou o então governador Wanderlei Barbosa.
Em agosto de 2025, Laurez deixou o PDT e filiou-se ao PSD, passando a comandar o diretório estadual da legenda. Em 2026, disputa o Governo do Tocantins.















