Boletim da Conab aponta queda nos fretes na Bahia e no Maranhão, recorde mensal de embarques piauienses e avanço do Arco Norte nas exportações brasileiras
O avanço das colheitas e a redução da demanda por caminhões começaram a mudar o cenário logístico em importantes regiões produtoras do Matopiba. Dados do Boletim Logístico de agosto da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram queda nos preços dos fretes agrícolas em rotas da Bahia, Maranhão e Piauí, enquanto os embarques de soja apresentaram comportamentos diferentes entre os estados.
No Piauí, por exemplo, as exportações de soja cresceram 35% em julho, alcançando cerca de 370 mil toneladas, o maior volume mensal registrado pelo estado em 2026. Já no Maranhão, apesar do crescimento dos embarques no mês, o acumulado do ano permanece abaixo do registrado em 2025.
O cenário ocorre em uma safra brasileira de grãos estimada pela Conab em 360,8 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, crescimento de 2,4% em relação à temporada anterior. A área cultivada deve alcançar 83,5 milhões de hectares.
Tocantins encerra colheita do milho
Segundo a Conab, Tocantins e Maranhão já haviam encerrado a colheita do milho segunda safra, porém as lavouras mais tardias apresentaram produtividade abaixo das estimativas iniciais.
O estado também aparece conectado aos fluxos logísticos regionais. No Maranhão, parte dos farelos de milho e DDGs produzidos pela indústria de etanol de grãos instalada em Balsas teve o Tocantins entre os destinos. O boletim também registra transporte de gesso agrícola do Maranhão para áreas produtoras tocantinenses durante a preparação da safra 2026/27.
Maranhão registra redução nos fretes
No Maranhão, a colheita da soja foi encerrada em junho e a do milho alcançou 97% da área em julho. Com grande parte dos grãos já transportada nos meses anteriores, houve redução da movimentação de cargas agrícolas com destino ao Porto do Itaqui e ao terminal ferroviário de Porto Franco.
Os preços dos fretes rodoviários de cargas agrícolas no estado recuaram, em média, 11,52% em relação a junho.
Entre Balsas e São Luís, uma das principais rotas monitoradas, o valor caiu de R$ 243,50 para R$ 184,80 por tonelada, redução de 24% no mês.
Mesmo com a menor demanda por transporte, as exportações maranhenses de soja cresceram em julho. Foram embarcadas 854,81 mil toneladas, alta de 3,04% sobre junho e de 8,27% em relação a julho de 2025. Aproximadamente 99% do volume saiu pelo Porto do Itaqui.
No acumulado de janeiro a julho, entretanto, o Maranhão exportou cerca de 3,17 milhões de toneladas, queda de 3,19% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Piauí tem maior embarque mensal de soja do ano
O Piauí apresentou movimento diferente. As exportações de soja aumentaram 35% em julho, com acréscimo superior a 96 mil toneladas em relação ao mês anterior.
Com aproximadamente 370 mil toneladas embarcadas, julho se tornou o melhor mês de 2026 para as exportações piauienses de soja.
Apesar do crescimento dos embarques, os preços dos fretes nas principais rotas agrícolas pesquisadas pela Conab caíram, em média, 1,65% em relação a junho. Entre os fatores apontados estão o encerramento da colheita da soja, que aumentou a disponibilidade de caminhões, e a redução no preço do combustível.
Na rota entre Uruçuí e Teresina, por exemplo, o preço médio passou de R$ 205 para R$ 180 por tonelada, queda de 12%. Já entre Baixa Grande do Ribeiro e São Luís houve aumento de 4%, chegando a R$ 258 por tonelada.
Bahia também registra queda nos preços
Na Bahia, a tendência também foi de redução dos fretes na maioria das regiões acompanhadas pela Conab.
Em Luís Eduardo Magalhães, importante polo agrícola do oeste baiano, houve menor procura pelo transporte rodoviário com o avanço da comercialização de soja, milho e algodão e maior disponibilidade de caminhões.
Na rota até Salvador, o preço médio caiu 7%, passando de R$ 280 para R$ 260 por tonelada. Para Ilhéus, a redução também foi de 7%, de R$ 290 para R$ 270.
Irecê apresentou comportamento diferente, impulsionado principalmente pela comercialização de mamona e produtos hortifrutigranjeiros. O transporte até São Paulo aumentou 4%, chegando a R$ 370 por tonelada.
Arco Norte amplia participação nas exportações
O boletim também aponta crescimento da participação dos portos do Arco Norte no escoamento brasileiro de grãos.
Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil exportou 9,83 milhões de toneladas de milho, contra 8,89 milhões no mesmo período de 2025. O Arco Norte respondeu por 46,12% dos embarques, acima dos 35,46% registrados no ano passado. O Porto do Itaqui, no Maranhão, movimentou cerca de 570 mil toneladas de milho destinadas ao exterior no período.
Na soja, as exportações brasileiras alcançaram 82,96 milhões de toneladas entre janeiro e julho, contra 76,95 milhões de toneladas no mesmo intervalo de 2025. Os portos do Arco Norte concentraram 39,03% dos embarques, o equivalente a aproximadamente 32,38 milhões de toneladas.














