Vacinação, suplementação nutricional e desmama antecipada estão entre as estratégias recomendadas para manter o desempenho do rebanho durante o período de estiagem
O período seco já impõe desafios à pecuária de corte no Centro-Oeste, exigindo dos produtores planejamento para manter a saúde do rebanho e reduzir os impactos da menor oferta de pastagens. Entre as categorias que demandam maior atenção estão os animais em fase de cria e recria, mais sensíveis às mudanças provocadas pela estiagem.
Além da redução no crescimento das pastagens, o inverno na região é marcado por baixa umidade do ar, escassez de chuvas e temperaturas elevadas durante a tarde. Segundo informações do Painel El Niño, essas condições favorecem o déficit hídrico e podem comprometer tanto a disponibilidade de alimento quanto de água nas propriedades.
Para minimizar os prejuízos, a recomendação é antecipar o planejamento nutricional e sanitário do rebanho.
Na fase de recria, um dos principais cuidados é manter o calendário sanitário atualizado. A orientação é reforçar a vacinação contra clostridioses, especialmente em animais entre 12 e 24 meses, além de seguir protocolos de controle parasitário durante o período seco.
A alimentação também precisa ser ajustada conforme a disponibilidade de forragem. Onde ainda há boa oferta de pastagem, suplementos proteicos ou proteico-energéticos de baixo consumo podem ajudar a manter o desempenho dos animais com menor custo. Em propriedades com maior disponibilidade de concentrados, a suplementação pode ser intensificada para acelerar o ganho de peso dos lotes em recria.
Matrizes prenhes exigem atenção especial
Entre as vacas gestantes, os maiores cuidados concentram-se no terço final da gestação. Além do reforço na vacinação contra doenças reprodutivas, diarreia neonatal e clostridioses, a condição corporal das matrizes deve orientar a estratégia nutricional adotada pelo produtor.
Animais que chegam ao período seco com bom escore corporal podem ser mantidos com suplementação de menor custo. Já as matrizes mais magras exigem manejo diferenciado, com acesso às melhores áreas de pastagem e suplementação reforçada para evitar perdas de peso e preservar o desempenho reprodutivo na próxima estação de monta.
Desmama antecipada pode ser alternativa
Outra estratégia que ganha importância durante a estiagem é a desmama antecipada, principalmente em vacas de primeira cria. A medida reduz a exigência nutricional sobre a matriz, favorecendo sua recuperação antes da próxima gestação.
Nos bezerros, a utilização do sistema conhecido como creep-feeding , suplementação exclusiva para animais ainda em aleitamento, contribui para compensar a menor produção de leite das mães e permite que os animais sejam desmamados com melhor desenvolvimento.
A desmama antecipada também pode ser adotada em vacas destinadas ao descarte, permitindo que esses animais recuperem condição corporal antes da venda e agreguem maior valor ao produtor.
Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Rodrigo Gomes, o planejamento antecipado é o principal aliado do pecuarista durante o período seco, permitindo adequar o manejo nutricional e sanitário de cada categoria do rebanho e reduzir os impactos da estiagem sobre a produtividade.
















