Segunda etapa do plano nacional prevê integração das bases dos estados ao sistema federal; Tocantins já iniciou ações para identificação individual do rebanho
O Brasil está em 2026 na segunda etapa do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), estratégia que pretende mudar gradualmente a forma como o rebanho é rastreado no país. Neste ano, o foco está na preparação dos estados e na integração de seus sistemas de defesa sanitária à base nacional.
O cronograma estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prevê oito anos para a implementação do plano, entre 2025 e 2032. Ao final desse período, a previsão é que todo o rebanho brasileiro de bovinos e búfalos esteja submetido à identificação individual, conforme os critérios definidos na regulamentação.
A Etapa 2, em vigor de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2026, é destinada especificamente aos Órgãos Executores de Sanidade Agropecuária dos estados. Durante o período, eles deverão adequar seus sistemas informatizados e bases oficiais de dados aos objetivos estabelecidos pelo PNIB.
A expectativa apresentada no plano é garantir a interoperabilidade entre a base federal e as bases estaduais, permitindo a integração das informações necessárias ao acompanhamento sanitário dos animais.
Tocantins já iniciou ações de rastreabilidade
Tocantins realiza a primeira brincagem simbólica de rastreabilidade na Agrotins 2026. (Foto: Majuh Souza/Governo do Tocantins).
No Tocantins, o avanço da rastreabilidade bovina também já começou a ganhar espaço nas políticas públicas voltadas à pecuária. Durante a Agrotins 2026, o Governo do Estado realizou a primeira brincagem simbólica para identificação individual de um bovino, marcando o início da implantação da rastreabilidade individual do rebanho tocantinense.
A iniciativa integra o programa Rastreia Tocantins, criado por decreto estadual e alinhado ao PNIB. Com um rebanho estimado em 11,7 milhões de animais e cerca de 70 mil propriedades rurais, o estado busca fortalecer o controle sanitário, ampliar a transparência da cadeia produtiva e criar condições para ampliar o acesso da pecuária tocantinense a mercados.
A movimentação estadual ocorre justamente no período em que o cronograma nacional concentra esforços na preparação dos sistemas dos órgãos estaduais de defesa sanitária. Pelo PNIB, 2026 funciona como uma etapa de estruturação para o início gradual da identificação individual previsto para os próximos anos.
Além dos ganhos para o controle sanitário, a rastreabilidade pode contribuir para a gestão das propriedades rurais. O acompanhamento individual amplia o acesso a informações sobre histórico sanitário, movimentações e outros dados dos animais, que podem auxiliar no gerenciamento dos rebanhos.
Na comercialização, a possibilidade de comprovar com maior precisão a origem e o histórico dos animais também pode fortalecer a confiança ao longo da cadeia e contribuir para o atendimento das exigências de mercados que demandam níveis mais elevados de rastreabilidade. O próprio PNIB aponta o acesso a mercados internacionais entre as vantagens da identificação individual.
Identificação dos animais avança a partir de 2027
A adequação prevista para 2026 prepara o caminho para uma mudança mais perceptível dentro das propriedades rurais a partir do próximo ano.
Conforme o cronograma, a Etapa 3 será realizada entre 2027 e 2029 e marcará o início da identificação individual de bovinos e búfalos. Nesse período, deverão ser identificados os animais que passarem por manejo sanitário e aqueles incluídos em protocolos privados, homologados ou não pelo Mapa.
Para efeitos do programa, o documento considera como manejo sanitário a vacinação contra a brucelose, conforme as regras do Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT).
Ao final de 2029, a expectativa é que os animais abrangidos por essa etapa estejam individualmente identificados e tenham seus respectivos dados registrados na Base Central.
O que muda com a identificação individual?
Atualmente, segundo o plano, a rastreabilidade de bovinos e búfalos no Brasil ocorre por lotes. O PNIB propõe avançar para um modelo em que cada animal possua uma identificação única e irrepetível, permitindo acompanhar de forma mais precisa seu histórico e suas movimentações.
Entre os objetivos estão melhorar a resposta a emergências sanitárias, facilitar a localização de animais infectados ou expostos a doenças, acompanhar movimentações e eventos sanitários e ampliar a capacidade de rastreamento do rebanho.
A Base Central deverá reunir informações relacionadas aos produtores, propriedades e explorações pecuárias, animais identificados e suas movimentações. O plano também prevê integração com as bases oficiais dos órgãos estaduais de defesa agropecuária.
Como será feita a identificação
O PNIB estabelece a utilização da numeração oficial ISO 076, formada pelo código 076 seguido de uma sequência única de 12 dígitos. A numeração deverá ser única e irrepetível para cada animal.
O documento prevê quatro possibilidades de identificação, envolvendo brinco auricular do tipo bandeira e/ou botton auricular, com opções eletrônicas e não eletrônicas dentro dos padrões estabelecidos pelo programa.
A regra geral prevista no plano é que a identificação individual ocorra, no máximo, antes da primeira movimentação do animal, observando o cronograma de obrigatoriedade.
Implementação vai até 2032
O PNIB foi dividido em quatro etapas. A primeira, realizada em 2025, foi destinada ao desenvolvimento do sistema informatizado e da Base Central de Dados em âmbito federal. A segunda corresponde a 2026 e concentra-se na adequação dos sistemas estaduais.
A terceira, de 2027 a 2029, prevê o início gradual da identificação dos animais. Já a quarta e última etapa ocorrerá entre 2030 e 2032, quando deverão ser identificados, antes da primeira movimentação, todos os bovinos e búfalos que transitarem pelo território nacional.
Ao final de 2032, o plano estabelece como objetivo tornar obrigatória a identificação individual de todo o rebanho bovino e bubalino brasileiro antes da primeira movimentação.

















