Reforma Tributária, endividamento, legislação trabalhista, infraestrutura e questões ambientais estão entre os temas que aproximam o setor produtivo das discussões políticas
As decisões tomadas em Brasília e nos governos estaduais têm chegado cada vez mais rápido à porteira. Tributação, crédito, legislação ambiental e trabalhista, infraestrutura e regras fundiárias são alguns dos temas que podem alterar custos, investimentos e até o planejamento das propriedades rurais.
Esse cenário tem levado entidades e produtores a defender uma participação mais ativa do agro nas discussões políticas, seja por meio das organizações representativas ou diretamente nos espaços de decisão.
Para o diretor-executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Rosa, parte desse trabalho começa justamente dentro das propriedades, a partir das demandas apresentadas pelos produtores.
“O trabalho da Aprosoja é, em essência, um trabalho político. As demandas defendidas pela entidade são construídas a partir da base, com a participação dos produtores, e transformadas em propostas técnicas que são levadas aos parlamentares, ao governo e, quando necessário, ao Judiciário. É dessa forma que conseguimos transformar as necessidades de quem está no campo em pautas concretas nos espaços onde as decisões são tomadas”, explica.
Atualmente, segundo Fabrício, assuntos como a implementação da Reforma Tributária, a renegociação das dívidas dos produtores e mudanças relacionadas à legislação trabalhista estão entre as discussões acompanhadas pelo setor.
Na avaliação do produtor rural Arnardino Gabriel, o Dino, associado da Aprosoja Tocantins, acompanhar o ambiente político passou a ser também uma questão relacionada à gestão da atividade.
“Não precisamos transformar o produtor em político, nem pensar todos da mesma maneira ou apoiar as mesmas pessoas. Mas precisamos entender que não participar da política não significa ficar fora dos seus efeitos. Quem produz precisa acompanhar, debater e fortalecer suas entidades, porque, quando o produtor se organiza, sua voz ganha força”, afirma.
Do campo para a disputa eleitoral
No Tocantins, essa aproximação entre agro e política também aparece nas eleições de 2026. Dois produtores que ocuparam cargos de liderança no sistema Aprosoja estão na disputa por vagas no Legislativo.
Ex-presidente da Aprosoja Tocantins, Dari Fronza é candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL). Ele avalia que conhecer a rotina da atividade é importante para discutir propostas que tenham impacto sobre agricultura e pecuária.
“Não basta dizer que é do agro. É preciso conhecer a essência da agricultura e da pecuária e a realidade de quem está no campo. Existe a necessidade de termos representantes que conheçam de perto esses setores e compreendam suas demandas”, diz.
Para Dari, infraestrutura, logística e oferta de energia estão entre os gargalos que precisam acompanhar o avanço da produção tocantinense. Na avaliação do produtor, esses fatores também pesam na capacidade do estado de receber novos investimentos e agroindústrias.
Outro nome ligado ao setor que entrou na disputa eleitoral é Maurício Buffon. Ele se licenciou da presidência da Aprosoja Brasil em junho deste ano e concorre a deputado federal pelo Tocantins, também pelo PL.
Buffon afirma que decidiu participar diretamente da política após acompanhar os impactos de normas relacionadas a questões fundiárias, ambientais e tributárias sobre a atividade produtiva.
“Muitas vezes, as leis e normas são elaboradas sem que se conheça, de fato, como funciona o dia a dia de uma propriedade rural ou de uma empresa. Questões fundiárias, ambientais e tributárias têm impactado diretamente quem produz, e isso reforçou em mim a importância de participar da política e contribuir com esse debate”, afirma.
A participação política, no entanto, não se resume às candidaturas. Para produtores e representantes ouvidos, acompanhar projetos de lei, participar das entidades do setor e levar demandas aos poderes públicos são outras formas de influenciar decisões que posteriormente terão reflexos dentro das propriedades.
Em um estado onde o agronegócio ocupa papel relevante na economia, o debate passa, portanto, por como transformar demandas individuais das fazendas em discussões coletivas, e fazer com que a realidade encontrada no campo também esteja presente quando novas regras e políticas públicas são formuladas.
Por Ascom Aprosoja Tocantins.


















