Produção de carne de frango destinada ao mercado interno alcançou 2,25 milhões de toneladas no segundo trimestre, enquanto cotações dos ovos permanecem em níveis historicamente baixos
A maior disponibilidade de proteínas no mercado brasileiro tem pressionado os preços do frango e mantido as cotações dos ovos em níveis baixos. Levantamentos divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram um cenário de oferta elevada e demanda enfraquecida.
Entre abril e junho de 2026, a oferta de carne de frango no mercado doméstico chegou a 2,25 milhões de toneladas, o maior volume desde o quarto trimestre de 2025.
Segundo pesquisadores do Cepea, a elevada disponibilidade da proteína tem contribuído para a queda dos preços. Outro fator que pesa sobre o mercado é a concorrência com a carne suína, que apresenta preços historicamente baixos e reduz a competitividade do frango junto ao consumidor.
A expectativa é de que a produção avícola continue em ritmo elevado nos próximos meses. Com a aproximação do fim do ano, o mercado ainda poderá enfrentar uma mudança no perfil de consumo. Cortes tradicionais de frango costumam perder espaço para aves natalinas e carne suína, movimento que pode enfraquecer ainda mais a demanda pela proteína avícola.
Em 2025, o mercado passou por uma situação diferente. Restrições às exportações após o registro de Influenza Aviária em uma granja comercial no Rio Grande do Sul aumentaram a quantidade de carne disponível internamente durante o segundo e o terceiro trimestres daquele ano.
Ovos apresentam recuperação mensal, mas preços continuam baixos
No mercado de ovos, a média parcial de agosto está acima da registrada em julho, apesar das quedas observadas nos últimos dias do mês. O resultado é sustentado principalmente pelos preços mais firmes praticados durante a primeira quinzena.
As desvalorizações recentes são atribuídas à redução das vendas característica do fim do mês, período em que o menor poder de compra dos consumidores costuma diminuir a movimentação no mercado.
A expectativa dos agentes consultados pelo Cepea é de negociações mais lentas nos próximos dias, com possibilidade de recuperação da demanda após a virada para setembro.
Mesmo com a melhora em relação a julho, os preços permanecem em níveis baixos. Considerando valores reais, corrigidos pelo IGP-DI de julho de 2026, a média parcial de agosto dos ovos brancos é a menor para o mês desde 2021.
Para os ovos vermelhos, o cenário é ainda mais significativo: a cotação média deste mês é a menor para um agosto desde 2020.
Os dados mostram que tanto o segmento de frango quanto o de ovos chega ao fim de agosto enfrentando pressão sobre as cotações, ainda que por dinâmicas diferentes de oferta e demanda.

















