Estado aparece com o terceiro maior número de CNPJs negativados da Região Norte; cenário regional reúne mais de 520 mil empresas com dívidas em atraso
O Tocantins registrou 75.223 empresas inadimplentes em julho de 2026, segundo levantamento da Serasa Experian. O número coloca o estado na terceira posição da Região Norte em quantidade de CNPJs negativados, atrás apenas do Pará e do Amazonas.
Em toda a região, foram contabilizadas 520.617 empresas inadimplentes, que acumulavam mais de 3,25 milhões de dívidas negativadas. Juntas, as pendências somavam cerca de R$ 11 bilhões.
O Pará liderou o levantamento regional, com 185.970 empresas inadimplentes, seguido pelo Amazonas, com 150.990. Na sequência aparece o Tocantins, com pouco mais de 75,2 mil CNPJs nessa situação.
Brasil chega a 9,2 milhões de empresas inadimplentes
O cenário de dificuldade financeira das empresas não está restrito à Região Norte. Em julho, o Brasil atingiu um novo pico de inadimplência empresarial, chegando a 9,2 milhões de CNPJs negativados.
Essas empresas acumulavam 67,2 milhões de dívidas, que representavam R$ 238,6 bilhões em débitos. Em média, cada empresa inadimplente tinha 7,3 contas negativadas e uma dívida de R$ 25.983,88.
Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, mesmo com os cortes recentes na Selic, as condições financeiras continuam restritivas.
“O mercado continua precificando juros elevados por um período prolongado, e é essa expectativa que influencia diretamente o custo de financiamento e a capacidade das empresas de rolar suas dívidas.”
A economista também aponta a desaceleração da atividade econômica como um fator adicional de pressão, diante da combinação entre custo financeiro ainda elevado e menor dinamismo das receitas das empresas.
Serviços concentram maior número de empresas no vermelho
Entre todas as empresas inadimplentes do país, 55,8% pertenciam ao setor de serviços. O comércio representava outros 32,1%, seguido pela indústria, com 8%. O segmento primário respondeu por 1% dos CNPJs negativados.
A origem das dívidas mostra ainda que as dificuldades financeiras vão além dos empréstimos e financiamentos bancários. Os débitos relacionados a serviços representavam 31,7% das pendências, enquanto bancos e cartões respondiam por 19,7%.
As cooperativas apareciam com 8,5%, seguidas por contas de serviços essenciais, com 6,9%, e telefonia, com 6,2%. Considerando bancos, cartões e financeiras, as instituições financeiras concentravam 24,3% das dívidas, enquanto 75,7% das pendências estavam fora desse grupo.
Pequenos negócios são maioria entre inadimplentes
As micro e pequenas empresas concentram a maior parcela do problema. Dos 9,2 milhões de CNPJs inadimplentes no Brasil, 8,7 milhões eram micro ou pequenas empresas.
O grupo acumulava 60,5 milhões de dívidas, que juntas alcançavam R$ 206 bilhões. A dívida média por empresa era de R$ 23.574,33.
Segundo a Serasa Experian, esses negócios enfrentam maior dificuldade para conseguir crédito e capital de giro, cenário agravado pelo aumento da inadimplência e pela maior cautela das instituições na concessão de recursos.
O Indicador de Inadimplência das Empresas considera inadimplente o negócio que possui ao menos um compromisso financeiro vencido cujo não pagamento tenha sido formalmente comunicado pelo credor.
















