Monitoramento da Conab aponta condições favoráveis para colheita e qualidade do algodão em Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia
O predomínio do tempo seco em agosto favoreceu a reta final da safra 2025/26 no Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. As condições ajudaram a preservar a qualidade do algodão e contribuíram para o encerramento da colheita do milho segunda safra. Por outro lado, os efeitos da falta de chuva registrada durante o desenvolvimento das lavouras ainda aparecem nos resultados do cereal.
O cenário consta no Boletim de Monitoramento Agrícola de agosto, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O levantamento analisa as condições das principais regiões produtoras de grãos do país entre os dias 1º e 24 de agosto.
Segundo a Conab, embora o clima tenha sido favorável às operações de campo neste fim de ciclo no Matopiba, foram confirmadas perdas no milho provocadas pela restrição hídrica durante o desenvolvimento da cultura.
A situação mostra os diferentes efeitos do clima sobre uma mesma safra. A ausência de chuvas, que anteriormente limitou o potencial produtivo de parte das lavouras, passou a contribuir nesta fase para a maturação, secagem dos grãos e avanço das máquinas no campo.
Algodão tem cenário favorável
Para o algodão, as condições recentes foram mais positivas. O tempo seco contribuiu para preservar a qualidade da fibra durante a colheita na região.
No Piauí, um dos estados que integram o Matopiba, a produtividade registrada supera as estimativas iniciais da Conab, principalmente nas áreas cultivadas sob irrigação.
O comportamento também é observado em outras regiões produtoras do país. Em Mato Grosso, maior produtor nacional, a colheita está avançada e a produtividade supera a registrada no ciclo anterior. Em Goiás, a pluma apresenta boa qualidade, apesar das restrições hídricas enfrentadas durante a formação das maçãs no sudoeste do estado.
Falta de chuva afetou milho
O milho apresentou uma situação diferente. No Matopiba, apesar das condições favoráveis para a conclusão da colheita da segunda safra, a Conab aponta que a escassez de chuvas durante o ciclo provocou perdas.
Os impactos da irregularidade das precipitações também foram observados na terceira safra em outras áreas do Nordeste.
Na Bahia, a estiagem reduziu o potencial produtivo das lavouras localizadas no nordeste do estado. No oeste baiano, entretanto, os cultivos irrigados apresentam bom desenvolvimento.
Em Sergipe, a restrição hídrica provocou perdas e levou produtores a destinarem parte das áreas de milho para a produção de silagem. Situação semelhante foi registrada em Alagoas, onde a irregularidade das chuvas prejudicou as lavouras e fez com que áreas fossem direcionadas à silagem e, em alguns casos, ao pastejo bovino.
Tempo seco ajuda colheitas no país
No cenário nacional, os maiores volumes de chuva durante o período analisado ficaram concentrados no noroeste da Região Norte, no litoral leste do Nordeste e na Região Sul.
Nas demais áreas do Brasil, predominou o tempo seco, condição que favoreceu principalmente a maturação e a colheita do algodão e do milho segunda safra.
No Centro-Oeste e no Sudeste, a ausência de chuvas também contribuiu para a secagem natural dos grãos de milho e beneficiou a qualidade da fibra do algodão e do feijão irrigado de terceira safra.
Em Mato Grosso, a colheita do milho segunda safra foi encerrada com alta produtividade. Mato Grosso do Sul também apresentou resultados superiores às estimativas iniciais, enquanto no Paraná a redução das chuvas a partir de meados de agosto permitiu acelerar os trabalhos, com 73% da área semeada já colhida no período analisado.
Trigo exige atenção no Sul
Enquanto o tempo seco favorece as culturas de segunda safra em parte do país, o excesso de umidade preocupa produtores de trigo na Região Sul.
Chuvas intensas, elevada umidade e períodos de baixa luminosidade podem ter provocado danos pontuais, principalmente no Rio Grande do Sul. Apesar disso, a disponibilidade de água no solo tem beneficiado as lavouras na maior parte das áreas produtoras.
A Conab aponta ainda que, a partir de julho, o índice de vegetação do trigo passou a superar tanto o observado na safra anterior quanto a média histórica na maior parte dos períodos analisados, resultado associado ao bom estabelecimento e desenvolvimento da cultura.
No Paraná, as lavouras permanecem predominantemente em boas condições, embora a umidade aumente o risco de doenças fúngicas. No Rio Grande do Sul, as condições meteorológicas também elevaram a necessidade de monitoramento fitossanitário.
Os dados fazem parte do Boletim de Monitoramento Agrícola, elaborado pela Conab em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Grupo de Monitoramento Global da Agricultura (Glam). O levantamento reúne informações de campo e dados de satélite para acompanhar as condições das lavouras brasileiras.


















